La Stratégie

by Alexander Sweden

Tag: Varane

Será a esposa de Pepe a “Mulher do Homem do Talho”?

Relembrando o filme “The Butcher’s Wife” leio aqui, em forma de louvor, o facto do Pepe fazer poucas faltas e não ter cartões amarelos, supostamente algo muito bom para quem é apelidado de carniceiro ou de assassino. Atenção à estatística pura e dura! Isto não é informação, é sensacionalismo. Estes dados só por si dizem muito pouco. Não há nexo causal entre cometer poucas infrações, ter poucas admoestações e apresentar um desempenho competente. Um central pouco dinâmico, que não se impõe na disputa de bola, que foge ao contacto, que não vai à queima (nas situações em que tem que ir, assumindo riscos) apresentará estatísticas deste nível. Franco Baresi, um dos defesas centrais mais perfeitos da história, consegue apresentar estatísticas piores neste aspeto que o Pepe. Isto significa o quê? Que Pepe é melhor? Seguramente que não.

A estatística é importante, sendo mesmo obrigatória, mas como complemento da análise e não como veredicto sobre o desempenho de um jogador. Não foi seguramente com base nelas que José Mourinho remeteu o português para o banco em detrimento do jovem central francês Varane, (na minha opinião de forma muita legitima porque o francês, apesar de menos espalhafatoso e carismático, é melhor jogador aos 21 anos que o Pepe alguma vez foi). O principal problema de Pepe nunca passou pelo aspeto disciplinar, mas a forma como não consegue manter a folha limpa (leia-se culpa direta nos golos sofridos pela equipa) durante uma sequência de jogos assinalável. Não valorizo um defesa que faz um corte visualmente notável mas que na jogada a seguir se esquece de marcar e permite golo, como um menino que ficou maravilhado com o seu recente desempenho e se deixou ficar à sombra da bananeira.

A opinião pública valoriza excessivamente o aspeto visual da jogada e não dá a devida importância ao real contributo que aquela dá à equipa. Atenção que futebol não é ballet! Prefiro um corte ou uma defesa atabalhoada, mas eficiente, do que uma perda de bola que deixa a equipa descompensada, não obstante ter sido antecedida por uma maravilhosa jogada estética levada a cabo por um defensor, ou que momentos depois desta esteja em todo o lugar menos no sítio onde devia (a fazer lembrar David Luiz).

pepe

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A decisão

Muito se tem falado da decisão, da boa decisão, da melhor decisão, mas poucos se atrevem em defini-la. Sendo um dos objetivos deste blog partilhar, com todos os que aqui gostam de vir, alguns conhecimentos, cumpre-me dissecar o conceito. A boa decisão é aquela que permite atingir o sucesso da equipa. O que é o sucesso da equipa? Ganhar ao seu oponente. E ganha-se através da simbiose marcar golos/não sofrer golos. Não implica necessariamente ganhar jogando melhor em termos exibicionais ou estatísticos. Quem lida diariamente com a pressão diabólica dos media, dos adeptos, dos sócios, das estruturas diretivas, não se pode dar ao luxo de ser lírico, tem que estar vocacionado para os resultados, porque são estes que dão currículo, que permitem a obtenção de títulos, que permitem atingir os resultados previamente determinados. Dir-me-ão, que o ideal será ganhar dando espetáculo. Concordo. Não sendo possível, o fundamental é ganhar. Minimizar as possibilidades de ganhar em detrimento do espetáculo é perder objetividade, é assumir-se como lírico. Os treinadores de clubes profissionais vêem-se obrigados a serem em primeira instância objetivos, porque os clubes funcionam como empresas, não são meras mesas de tertúlia onde se pode dar plenamente asas à imaginação. Nas grandes multinacionais, tal como nas equipas profissionais de futebol, não há grande espaço para tomar grandes riscos, para perder o foco, pois a eficiência está por todo o lado, ouvem-se os seus passos permanentemente e cumpre a um treinador zelar por ela. É-se pago a peso de ouro por isso, e é perante aquela que o seu trabalho será em primeiro lugar avaliado. Quem só escreve em blogs, ou trabalha no futebol amador, pode vaguear, pode ser idealista, todos os outros, não se podem dar a esse luxo.

Por outras palavras, a boa decisão, será aquela que não só permite atingir o sucesso, como atingi-lo da forma mais rápida possível.

Existe a boa decisão com bola e sem bola. Neste post só me irei ocupar da decisão com bola e significa que aquele que tem o esférico deve adotar a melhor opção perante as milhares de que dispõe. Como o jogador não sabe de antemão o futuro (antes de executar o que idealizou), ou seja, nunca tem a certeza se o que idealizou vai ser realmente concretizado, deve ter em mente o critério da probabilidade. Daí optar pelo termo “suposta melhor decisão” ou “suposta boa decisão”, porque o que se idealizou pode ser bom mas depois de concretizado, porque se falhou, vem a revelar-se terrível . Perante as várias boas decisões que são idealmente possíveis de executar por parte do possuidor da bola, que tem determinadas capacidades técnicas e físicas, quais aquelas que são as mais prováveis de serem realmente bem executadas?

Para que esta probabilidade possa ser aferida, o possuidor da bola deve ter uma completa noção das suas capacidades, das capacidades dos seus colegas e da capacidade dos seus oponentes. Quando se prepara o jogo é importante manifestar a cada um dos nossos jogadores, a capacidade nos diferentes parâmetros dos principais adversários com os quais se vai deparar. Cada jogador deve ter noção da exata probabilidade de sucesso daquilo que pretende executar e só o consegue:

–  Conhecendo-se a sim mesmo, ou seja,  ter a perfeita noção daquilo que consegue ou não executar em cada contexto de jogo;

– Conhecer o seu companheiro de equipa, nomeadamente quando se trata do capítulo do passe. Por ex. Poderá ser um erro colocar a bola no espaço para um colega que é lento;

–  Conhecer o seu opositor, ou seja, ter a perfeita noção daquilo que este consegue ou não executar em cada contexto de jogo.

No entanto para graduar a decisão, importa também ter em mente, a contribuição que esse lance terá para o sucesso da equipa (marcar ou evitar um golo). A decisão tanto melhor será quanto mais contribua para o sucesso da equipa.

Criei um cálculo que permite graduar a decisão e que se explica através da seguinte fórmula (fácil de colocar no papel mas difícil de determinar em cada lance específico):

Probabilidade de execução bem-sucedida (de 0 a 10) X Taxa de contribuição para o sucesso (de 0 a 10)

O melhor resultado final será o 100 (10X10). O 100 significa a certeza absoluta que a execução pensada será bem sucedida e que a mesma contribui totalmente para o sucesso (por ex., marcar um golo com um pequeno toque quando a bola já está  99% dentro da baliza adversária e não há qualquer oposição). Quanto maior é o algarismo (onde 0 é o valor mínimo e 100 o valor máximo) melhor será a decisão.

Importa então explicar melhor os dois elementos da fórmula:

A probabilidade de execução bem-sucedida pode ser medida numa escala de 0 a 10. 10 é a absoluta certeza que o que pensamos  vai ser executado na sua plenitude. 0 é a certeza absoluta que não vamos conseguir executar o que pensámos.  Quanto mais engenhosa é a execução, quanto mais exigente é técnica e fisicamente, menor será a probabilidade da execução ser bem-sucedida. Aqui entramos num conceito subjetivo porque a maior ou menor exigência técnica depende de cada executante (do que tem a bola e do que a recebe nos lances em que se pretende comunicar com o colega da equipa). Maradona fazia coisas que para ele eram simples, onde a probabilidade de executar conforme idealizado era enorme mas que para o Fernando Aguiar seriam praticamente impossíveis de realizar. A oposição do adversário é também tomada em conta neste parâmetro. Quanto maior e melhor oposição houver num lance específico menor será a probabilidade de execução ser bem-sucedida. Estamos perante outro conceito subjetivo, porque é diferente tentar um drible contra um jogador amador do que contra o Varane. Assim como é diferente ter um opositor do que ter dois ou três.

A taxa de contribuição para o sucesso pode ser medida numa escala de 0 a 10 e está relacionada com a influência que o lance em que o portador da bola está a pensar em executar tem para o sucesso, ou seja, para que a minha equipa marque um golo ou deixe de o sofrer. Um passe lateral no meio campo defensivo terá menor taxa de contribuição para o sucesso que um passe lateral para um colega isolado em plena área contrária. 10 significa que o lance a executar é determinante para o sucesso (por ex. um corte defensivo em cima da linha, um remate à baliza). 0 significa que o lance a executar é totalmente irrelevante para o sucesso da equipa.

Ainda falta um terceiro elemento na fórmula para nos aferir um valor mais consentâneo com a realidade, mas que será tratado num próximo post.

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