La Stratégie

by Alexander Sweden

Tag: Talisca

Porque é tão fácil ganhar no Dragão?

Porque se apostou num treinador que cresceu no futebol amador, ambiente perfeito para se forjar o aspeto romântico da decisão, que é naturalmente vergado face à dura realidade do futebol profissional. Formar um plantel e um onze a partir de uma matriz obcecada com os aspetos decisórios, cede perante o realismo dos mais pragmáticos. Não é por capricho que Jorge Jesus manifesta o seu interesse em jogadores como Javi García, Ramires, Matic, Samaris, Talisca e deixa cair Djuricic, Bernardo Silva ou dá um papel secundário a Ola John.

Curiosamente foi preciso ver chegar ao Porto um treinador que cresceu num contexto amador, onde os aspetos decisórios são excessivamente realçados face aos restantes, para constatar como é fácil ganhar no Dragão.

“Talisca tem muito que penar para chegar à seleção principal do Brasil”

Palavras de Jorge Jesus.

Vamos então dissecar a mensagem:

Talisca não tem que penar assim tanto para chegar à seleção do Brasil (até porque a seleção do Brasil não é o que era. O rótulo de qualidade que outrora era garantido aos selecionados pela canarinha já não é tão categórico como outrora), basta continuar a trabalhar como tem feito até aqui e perto está da sua primeira internacionalização. No entanto, Jorge Jesus, e muito bem, receia que ego do jovem talento lhe destrua a carreira e nada como lhe ir mandando uns baldes de água fria para não sonhar demais e não perder o foco. Trata-se de um jovem de 20 anos, fora do seu país, a ganhar muito mais do que estava acostumado, tentado por tudo quando é lado. Se se mentaliza que é um caso sério do futebol  e que portanto se aproximam outros campeonatos, melhores contratos, mais dinheiro, seleção e fama, pode efetivamente perder-se. Seria um erro crasso deixar a humildade, assumir uma posição que já sabe tudo e que já é melhor e que portanto já não precisa de trabalhar mais do que os outros e quiça, que até se pode dar a certos luxos comportamentais (fora dos padrões aceitáveis) como que a aferir que tem estatuto, que é diferente.

Por outro lado, a mensagem tem o efeito de chegar aos sócios, adeptos benfiquistas e comunicação social. Passar a ideia que o Talisca ainda não é ninguém e que por isso não há razões para tanto alarido. Que tudo pode ainda falhar (apesar de estar convicto que tal não irá suceder). É importante que as massas se acalmem porque podem mexer com o jogador, levando a acreditar que já é aquilo que ainda nunca foi. No fundo, o aspeto da humildade e da necessidade de aprender e trabalhar mais do que os outros que devem permanecer intocáveis e para isso convém que o mundo que cerca o Talisca se comporte como se nada de extraordinário se tivesse passado, deixando o ego do jogador continuar a hibernar.

Ao treinador não lhe bastam competências técnicas, mas as de um autêntico gestor de recursos humanos e gestor de expectativas. Os jogadores são vulneráveis, o dinheiro, a juventude e a fama agudizem essa vulnerabilidade. Perder o foco é muito fácil. pelo que qualquer treinador deve estar sempre com o radar ligado para aqui e ali ir apagando os respetivos fogos, baixando as expetativas (dos adeptos, do atleta, dos media, do empresário) e ir fazendo discursos que suportam essa preocupação. Para nós, que somos lúcidos, cumpre-nos ler nas entrelinhas e reinterpretar o texto, para os destinatários, será ótimo que a mensagem passe exatamente como ela é.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Talisca e o sentido de oportunidade

Talisca tem manifestado um considerável sentido de oportunidade. Traduzindo, vem revelando uma enorme capacidade de decidir sem bola, de aparecer no sítio certo, na hora certa, e depois (porque há muitos que são ótimos a decidir sem bola) faz a diferença acrescentando uma excelente técnica de remate.

Para decidir sem bola e aparecer no sítio certo é imperioso ter uma capacidade de antecipar o percurso daquela. Trata-se de uma capacidade cognitiva, não de um poder paranormal. Talisca não é bruxo, mas as experiências passadas registadas no cérebro são-lhe úteis para que as reutilize  no sentido de prever com grande grau de exatidão o que vai acontecer no futuro. Antecipa primeiro que os outros. Pensa mais rápido (e bem) e isso permite-lhe surgir em zonas de finalização antes do adversário.

Tendo em conta a jovem idade do jogador encarnado, para ter esta capacidade não será necessária muita experiência no terreno de jogo, mas sim rentabilizá-la ao máximo e que no fim de cada jogo não se faça tábua rasa perante tudo aquilo que se passou.

Talisca

Cenário hipotético:

50 decisões erradas do Talisca, uma decisão certa, um golo e consequente vitória do Benfica

ou seria preferível

51 decisões  certas do Talisca e empate do Benfica?

 

p.s. Relativamente  às comparações do Talisca com o Rivaldo só podem significar o seguinte:

– nunca treinaram o Rivaldo e/ou o Talisca

– Nunca viram o Rivaldo jogar (observar  vídeos de 5 minutos não é ver jogar o Rivaldo)

– As comparações entre jogadores do presente e do passado são fúteis e não trazem nenhuma mais-valia para o futebol e  não há dois jogadores iguais.

Talisca

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