La Stratégie

by Alexander Sweden

Tag: Postiga

Porque razão os puristas não gostam deste vídeo?

A resposta é simples. Porque vêem o futebol debaixo de estereótipos fundados numa teoria completamente desenquadrada da prática (pelo menos a que se pratica no futebol profissional). No lance do golo (a partir do 0:52), o Diego Costa cometeu uma grande blasfémia contra os ensinamentos (porque antes de rematar decidiu diminuir o ângulo de baliza) outorgados em certos livros e doutrinas (muitas vezes escritos por pessoas que nunca vingaram e que queriam vingar e que lambem botas, principalmente as do Jorge Jesus). Essa religião afirma que o avançado deve sempre tomar a decisão na busca de um maior ângulo de baliza. Fernando Torres possivelmente faria o que o livro pede mas por mil e uma razões dificilmente contribuiria para o sucesso da equipa. Ou porque dava um toque a mais na bola, ou porque o remate saía fraco, ou porque saía muito por cima. Mas cumpriria com a teoria…

Porque razão joga Sálvio e Ola John fica na bancada?

A resposta é muito simples, menos para os supostos especialistas que tanto advogam mas não sabem o que é a boa decisão.

Os erros com que me deparo não dizem respeito à divisão conceptual: decisão sem bola e com bola, até porque esta é fácil, mas principalmente a dois fatores:

– A desvalorização da primeira face à segunda;

– A errónea interpretação do que é a boa decisão com bola.

No que respeita ao primeiro ponto, Sálvio apresenta muitos golos porque decide muitas vezes bem sem bola, não obstante este aspeto ser muitas vezes desvalorizado (Ronaldo sofre com o mesmo fenómeno). Como se aparecer sem oposição para finalizar fosse apenas mérito do último passe (veja-se no primeiro vídeo o movimento inteligente do Sálvio no golo marcado contra o Belenenses) – ou a forma como se coloca o corpo para ganhar uma disputa, não possa ser fundamental e revelador de uma boa decisão sem bola (veja-se no segundo vídeo o golo do Sálvio contra o Moreirense – 1:03).

O facto de alguém aparecer sozinho não acontece a maioria das vezes por mera sorte ou pelo facto de ser possuidor de super-poderes que afastam os adversários. O último golo do Benfica marcado por Sálvio a passe de Gaitan (após grande jogada deste) foi importante para revelar as tendências mais recentes que vejo circular na blogsfera. Em nome de uma suposta intelectualidade, louva-se o assistente e coloca-se na jarra o finalizador. Parece que não há forma de encontrar o meio-termo. Se outrora, o foco incidia excessivamente no goleador, hoje tudo serve para elogiar o criador e desprezar o que culmina tão importante tarefa. Não faz sentido passar de uma obsessão pelo goleador e transferi-la para o jogador que faz a assistência. Ambos merecem ser valorizados. Se muitas vezes o jogador que assiste decidiu bem com bola, o que finaliza decidiu, num primeiro momento, bem sem bola e posteriormente bem com ela (ainda que muitas vezes esta última decisão seja bem fácil de tomar). Esta tendência também serve para desculpabilizar o avançado que não marca golos (tipo Postiga) pelo que supostamente dá ao jogo, quando o principal papel deste é marcar golos (o que não significa que não tenha de dar ao jogo). Será que um defesa central que não desempenha o seu principal papel, continuará a ser visto como um grande defesa só porque faz muitas assistências ou marca golos? No entanto, quando se fala de avançados já são merecedores de dois pesos, duas medidas.

Sobre o segundo ponto, certas escolas dão um conceito curioso e sui generis à decisão com bola. Parece que esta só é real quando estamos perante passes à Fàbregas ou nos referimos ao último passe tal como previamente o havíamos idealizamos e com o qual nos deleitamos. O simples passe para o lado pode ser uma ótima decisão (porque descongestiona e pode provocar o efeito harmónio – Ver aqui). Passes de morte, revelam boas decisões com bola? Seguramente que sim, mas isso não significa que passes menos imediatos rumo ao sucesso, não sejam dignos da mesma adjetivação. E quando não se adota a suposta melhor decisão, mas ainda assim contribui-se para o sucesso da equipa? Não se valoriza, esquece-se e recalca-se só porque o jogador não fez o que achámos que devia fazer. Tiramos o jogador do centro do mundo e colocámos no lugar dele o nosso intelecto ?

As tendências para radicalizar, para transformar o que é cinzento no preto e no branco, de forma a compreender todo o fenómeno futebolístico demonstra insegurança e revela insensatez. O futebol é demasiado complexo para que percamos o nosso tempo a tentar catalogar tudo de forma hermética e teimar em recusar ver o futebol como um todo, só porque é mais fácil e confortável analisá-lo de forma compartimentada seguindo certas tendências sensacionalistas.

A falsa doutrina ou o direito a viver no Matrix?

Leio aqui que o Nélson Oliveira é detentor de um “Perfil incrível físico e técnico que não tem acompanhamento no que mais importa. A tomada de decisão.”

Ou seja, sobrevaloriza-se um aspeto que secundarizamos (perfil físico e técnico), constata-se a realidade (a fraca performance desportiva do atleta) para manifestar o quão crucial é o aspeto que o atleta não tem e ao qual que damos primazia (decisão), sustentando assim uma teoria contra tudo e contra todos (nem que isso leve alguns incautos a endeusar o Postiga e a desprezar o Diego Costa).

Pena é que deitando a mão a sofismas deste tipo consigo comprovar qualquer teoria por mais irreal que esta possa ser. Porque não criar um blog onde se defenda a teoria que todos habitamos dentro de pequenas incubadoras cheias de líquido amniótico e que é o Matrix o responsável por criar a ilusão de termos vidas perfeitamente normais?

Basta sobrevalorizar o aspeto que secundarizamos (os 5 sentidos), constatar a realidade (a incompreensão da razão da vida) para manifestar o quão crucial é o aspeto que o homem não tem e ao qual damos primazia (os deja vus), sustentando assim uma teoria contra tudo e contra todos (nem que isso leve alguns incautos a endeusar os mitos urbanos e a desprezar o conhecimento científico).

Desde quando o Nélson Oliveira tem um perfil incrível no que quer que seja?

Sabendo que a capacidade física está associada à força, capacidade de coordenação,  velocidade, flexibilidade e agilidade (ver aqui), o avançado português destaca-se apenas num aspeto da força (aguenta o choque mas falta-lhe remate e poder de impulsão) e na velocidade, mas pelo número de lesões que já leva no cadastro não me parece que seja excecional na capacidade de coordenação. No que respeita à flexibilidade (permite determinados gestos técnicos específicos) e agilidade (permite realizar mudanças rápidas de direção), constato que não é nada de extraordinário. Dito isto, posso concluir que o Nélson Oliveira não tem um perfil incrível físico.

Sabendo que a capacidade técnica de um avançado é sinónimo de habilidade para lidar com a bola nos mais diversos aspetos de jogo (ex. Receção, drible, passe, remate e guardar a bola), Nélson Oliveira não é fora de série em nenhum dos parâmetros. Apresenta mesmo grandes lacunas ao nível do remate (o que para um avançado é um grande handicap), drible e passe.  Dito isto, posso concluir que o jogador português não tem um perfil incrível técnico.

Resumindo, o Nélson Oliveira não é incrível nem nos aspetos físicos, nem técnicos. Tendo em conta que ao nível da decisão é muito fraco, e contando já com 23 primaveras, não será risível que venha a tornar-se um jogador para um grande. No entanto, e mesmo não sendo este o cenário ideal, se o atleta ostentasse altos níveis físicos e técnicos e continuasse a não tomar maioritariamente as supostas melhores decisões, apresentaria muito mais potencial para jogar ao alto nível, compensando o défice decisório com aqueles atributos, porque a vida real, fora das bibliotecas ou das bancadas ou do futebol amador, demonstra-nos que estes atributos só por si resolvem inúmeros problemas e podem aproximar a equipa do sucesso variadíssimas vezes.  O problema é que o Nélson Oliveira além de ser fraco a decidir, física e tecnicamente não é nada de extraordinário, e é devido a esse facto que o aspeto decisório é mais notório e mais lesivo para a equipa. Se ele fosse extraordinário do ponto de vista físico e técnico, a capacidade de decisão seria mascarada, e a mais-valia que representava para a equipa poderia atingir níveis que lhe permitissem assegurar a titularidade e ser alvo de cobiça por parte de grandes treinadores.

O perfil do Nélson Oliveira não prova o quão vital é a decisão no seu caso em concreto, antes demonstra o quão vital é para um jogador que não reúna altos padrões decisórios, que os compense com altos índices técnicos e físicos, o que não é o caso.

nelson

Os que detestam ser confrontados (porque sabem tudo) versus os atrevidos (porque apontam o dedo)

Relativamente ao recente post do Lateral Esquerdo, cumpre-me levantar algumas lebres. Quando o autor escreve: “Conheço um tipo que diz que saber ler não é saber o significado das palavras juntas numa frase. É saber interpretar o significado das palavras em conjunto”, fico satisfeito, porque presumo que o autor se esteja a referir a ele próprio. É sempre salutar conhecermo-nos a nós mesmos.

É também devido a essa iliteracia que não fico aborrecido com a distorção que o autor do referido blog faz perante aquilo que defendo neste espaço. Não é nitidamente má-fé, antes dificuldade em saber as palavras juntas numa frase.

Como uma mentira dita muitas vezes, torna-se verdade, cumpre-me rebater alguns pontos (podia rebatê-los a todos, mas alguns são tão ridículos que quem me lê atentamente automaticamente os refuta):

Em momento algum afirmei que a tomada de decisão não é o fator mais importante e diferenciador da qualidade no futebol de hoje. Aquilo que eu afirmo e reafirmo é que esta só por si não suficiente. Necessita de andar de mãos dadas com outras valias e por isso posso afirmar que não quero um jogador que só decida bem porque o futebol precisa de muito mais. Há alguns jogadores que não obstante serem fracos na capítulo da decisão, compensam esse défice com outras mais-valias e apresentam um saldo final mais positivo que muitos que só sabem decidir. Que é um bom indiciador? Sem dúvida, parece-me consensual, mas não justifica toda uma doutrina suportada apenas nesse padrão.

O autor do referido blog, quiçá confuso com tanta informação, e talvez porque não gosta de ser confrontado no plano das ideias (basta analisar a forma como responde a alguns comentários dos seus seguidores e como assobia para o ar perante outros) veio afirmar “Essa mesma escola, é a que coloca James, e Ibrahimovic no mesmo perfil de decisão de Diego Costa e Di Maria”. É falso, em momento algum coloquei estes 4 atletas no mesmo perfil da decisão, aquilo que referi é que os quatro não eram claramente conhecidos por tomarem a maioria das vezes a suposta melhor decisão. Ou seja, são normalmente associados a outras mais valias que não essa. Partir destas palavras e construir toda uma teoria que constata que os estou a colocar no mesmo perfil de decisão torna-se hilariante. Penso que seria mais oportuno assumir se prefere o Montero ao Diego Costa ou o Postiga ao mesmo Diego Costa.

Finalmente, o autor do lateral esquerdo, demonstra tanta preocupação como aquilo que eu escrevo que até já marca aqueles que me seguem e por isso vem afirmar: “E que já tem alguns seguidores que colocam Messi na mesma categoria de Hulk e Ronaldo, e como se não fosse possível ser mais atrevido, na mesma intervenção compara-os à, admirem-se, Bebé”. Não seria preferível deixar de perder tempo com isso, permitir que as pessoas se expressem sem lhes apontar uma arma à cabeça num tom arrogante como quem sabe tudo (mas que profissionalmente prova muito pouco) e tratar de preencher as lacunas da sua escola para que esta não se assemelhe tanto a um queijo suíço. Ou então, porque não criar uma daqueles vídeos onde consegue (não obstante não ver o terreno de jogo todo) afirmar a priori qual a melhor decisão?

p.s. claro que não gosta de atrevidos, prefere aqueles que não o questionam, que não o confrontam (até porque quando o fazem normalmente reage mal, não admite o erro, pois se já sabe tudo, porquê evoluir e aprender escutando outros pontos de vista). Espero sinceramente que não seja um tirano. O tirano normalmente não compreende o sentido de humor (tipo trivela foguete), leva tudo demasiado a sério e odeia que as suas ideias sejam colocadas em causa.

Boa decisão contra o resto do mundo

Este post surge na sequência da análise e de várias discussões salutares na caixa de comentários do blog Lateral Esquerdo. Partilho aqui, com os meus leitores, algumas ideias essenciais que defendo, trazendo à colação a famigerada “boa decisão”.

Antes disso, aproveito para afirmar que está a nascer uma escola, entre supostos entendidos de futebol, cujo objetivo passa por colocar o item “boa decisão” no pedestal, como se tivessem descoberto a pólvora. Trata-se uma escola errada, perigosa, perversa, e que leva a erros crassos na avaliação de um jogador, permitindo, por exemplo, que se certifique que o Postiga seja colocado no céu e o Diego Costa no inferno. Quando devia ser precisamente o contrário.

Às vezes denoto o erro de muitos comentadores do referido blog ao pretenderem encaixar tudo nas devidas prateleiras, para ficarem descansados e pensarem que percebem de futebol, quando as prateleiras estão todas ligadas entre si. E depois somos obrigados a ler barbaridades que dizem que o Postiga é bom jogador ou que o André Martins é muito melhor que o Adrien Silva. Analisando apenas uma das gavetas, até pode ser, mas na comunicabilidade com as outras, qualquer um daqueles se revela ser um jogador fraco quando comparado com a nata do futebol. Analisar um jogador apenas numa determinada perspetiva leva a um erro de avaliação. Analisar um jogador e louvá-lo apenas tendo em conta a componente “ boa decisão” é não perceber o que é o futebol. É querer transformá-lo num jogo de xadrez quando é muito mais do que isso. E depois não percebem como um determinado jogador, que supostamente devia ser fraco (de acordo com uma análise redutora) é afinal tão requisitado por grandes treinadores e resolvem o dilema assobiando para o ar na esperança que as pessoas se esqueçam que a teoria defendida tem mais buracos que um queijo suíço.

Um jogador tem de ser avaliado num conjunto de competências interligadas entre si. Diego Costa é fraco na decisão? Podemos considerar que sim, só que compensa com outros aspetos que deixa a léguas jogadores que só são bons na decisão. É muito pouco ser-se bom na decisão e esquecer tudo o resto. Eu não quero na minha equipa um jogador que só decida bem, mesmo que isso depois me traga vídeos fabulosos para expor no meu blog. Será dispensado se não evoluir em outros parâmetros.

Defendo que a boa decisão é importante, mas não se deve descurar os atributos técnicos e físicos (do executante e do companheiro), já que que são demasiado cruciais para serem esquecidos.

Sobre a relação dos aspetos técnicos versus atributos físicos, porque parece que há também uma tendência para desprezar a componente física em detrimento da técnica, quiçá porque nos dá um ar mais professoral, recordo o Ronal Koeman. Era tecnicamente evoluído no aspeto do remate, mas sem capacidade física associada a este vertente técnica nunca teria mandado tanto balázio com sucesso para dentro da baliza.

Qual a razão do Cristiano Ronaldo trabalhar tanto a vertente física? Não será apenas uma questão de vaidade. Ele sabe que para potenciar os índices técnicos  e de decisão (seus e dos colegas), estes devem estar suportados em aspetos físicos assombrosos.  Acham que o avançado português aparece tanta vez em posição favorável para marcar porque tem mais sorte do que os outros? Acham que a boa decisão sem bola que manifesta é apenas porque tem uma extraordinária capacidade intelectual de encontrar lugares vazios para receber bola? Analisem a intensidade de CR7 na busca de espaço (sem bola) e tentem imaginar a capacidade física necessária para concretizar tal desiderato.

Falava-se (falei) também na caixa de comentários do referido Blog do Ricardo Quaresma. Já alguém experimentou mandar alguma trivela foguete? Acham que o golo do Lamela é apenas técnica? Experimentem rematar de letra, num gesto técnico perfeito, e verão que a bola saí a uma velocidade ridícula se não suportada por aspetos físicos fora do normal.

Quaresma, por exemplo, que nem é dos meus jogadores preferidos, decide mal, mas compensa muitas vezes isso com outras componentes importantíssimas no jogo. E por vezes essas componentes tornam-no num jogador mais importantes que um jogador que decida quase sempre bem mas em que lhe falte tudo o resto. Conforme defendo, futebol não é xadrez. A “boa decisão” é importante, mas amputar tudo aquilo que a suporta é querer olhar para o mundo através de um canudo. Pior do que isso, é quando esses indivíduos, ainda que de forma tácita, pretendem arrogar-se que sabem mais do que os outros, mesmo perante aqueles que optam por ver todo o panorama e que analisam o futebol como um todo desde os primeiros dias da sua vida.

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