La Stratégie

by Alexander Sweden

Tag: Jorge Jesus

Resposta ao planeta dos malucos!

Em jeito de resposta ao individuo que tentou há pouco comentar no meu blog, talvez furioso porque lhe ando a apertar os calos (são inúmeras as referências que faço a outros blogs, para o bem e para o mal), e que me injuriou (sujeito a responsabilidade penal), dou o devido esclarecimento às centenas de leitores que aqui gostam de vir.

As referências que fiz ao futebol amador, nomeadamente no que respeita à tónica dominante da decisão,  foi escrito no contexto do futebol de formação (onde Lopetegui desenvolveu grande parte da sua carreira). Claro que no futebol amador sénior há muito pontapé para a frente, pouca decisão e poucas oportunidades para desenvolver grandes competências, mas mesmo neste cenário, há muitos jovens a aparecer, alguns com formação académica, que ainda trazem demasiado romantismo para o terreno de jogo. Da teoria à prática vai uma grande distância, assim como das bibliotecas e dos vídeos segmentados à la carte ao futebol jogado. O aspeto decisório é muito importante, claro, mas isso não significa que vivamos obcecados com ele,   porque o radicalismo cega e não permite ver outros aspetos também fundamentais e que podem dar crucial contributo para as vitórias. Chamem-me resultadista, mas num mundo tão competitivo, tal como acontece no sector empresarial, os gestores têm de estar vocacionados para o resultado, e o resultado no futebol significa ganhar.  Jesus é um resultadista (como demonstrou num última clássico, antes dos elogios ao Quaresma). Mourinho é um resultadista ainda mais feroz. Dir-me-ão, no entanto, que Guardiola apresenta resultados e dá espetáculo (não obstante não ser um radical no que à decisão diz respeito). Em primeiro lugar o conceito de espetáculo é subjetivo. Quantas pessoas não acharam extremamente aborrecido o tiki-taka que implementou no Barcelona? Em segundo lugar, já repararam nas sábias escolhas que o catalão tem sabido adotar em termos de carreira e que lhe permite certos luxos, inacessíveis a quase todos os colegas de profissão? Não podemos partir da exceção e a partir daí tentar criar a regra. A exceção no contexto futebolístico, como em qualquer outro campo, só faz sentido,  perante situações excecionais. Se não estamos perante situações excecionais, é pouco inteligente querer usar nas situações mais usuais o mesmo modus operandi.

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A importância de Quaresma!

Para os obcecados pela decisão Quaresma é vulgar e merecedor do banco, para os profissionais de futebol continua a ser louvado (ver a partir 4:04). Porque será tão evidente e perniciosa esta dicotomia futebol amador/profissional?

 

 

 

 

Porque é tão fácil ganhar no Dragão?

Porque se apostou num treinador que cresceu no futebol amador, ambiente perfeito para se forjar o aspeto romântico da decisão, que é naturalmente vergado face à dura realidade do futebol profissional. Formar um plantel e um onze a partir de uma matriz obcecada com os aspetos decisórios, cede perante o realismo dos mais pragmáticos. Não é por capricho que Jorge Jesus manifesta o seu interesse em jogadores como Javi García, Ramires, Matic, Samaris, Talisca e deixa cair Djuricic, Bernardo Silva ou dá um papel secundário a Ola John.

Curiosamente foi preciso ver chegar ao Porto um treinador que cresceu num contexto amador, onde os aspetos decisórios são excessivamente realçados face aos restantes, para constatar como é fácil ganhar no Dragão.

Como avaliar um treinador?

Leio aqui que  “O treinador deve ser avaliado pelo processo. Pela organização da sua equipa. Nunca pelo resultado, não ignorando que com organização garantidamente que obterá bons resultados para o contexto que exerce.”

Não posso concordar com esta necessidade veemente de tentar colocar tudo nas devidas gavetinhas, quando as coisas devem ser analisadas de uma forma muito mais heterógena.

Um treinador que supostamente organiza muito bem a sua equipa mas perde mais do que ganha, isso fará dele um bom treinador?  Será que organiza assim tão bem a sua equipa se não cumpre com os objetivos previamente delineados? E quando organiza mas não apresenta resultados? Quanto a mim, um treinador responde  e deve ser avaliado pelos resultados. Tal como um gestor de top que responde acima de tudo pelos resultados que apresenta e não propriamente pela organização que implementou. São os resultados que lhe garantem prémios chorudos ao final do ano. Os resultados são o fator mais importante numa empresa e são eles que permitem concluir que houve uma boa organização. E não a boa organização que leva a concluir que vai haver bons resultados, porque a organização é apenas uma quota parte  do sucesso. É um importante indiciador, mas necessita de ser comprovado pela apresentação dos resultados. Só por si, a organização não é suficiente nem garante o êxito. Há mais fatores em jogo.

Jesus organiza bem as suas equipas mas farta-se de falhar objetivos. Quanto a mim a organização é apenas um pequeno aspeto de um treinador de futebol. Há muito mais do que isso na sua esfera de competências. Se fosse só isso, haveria muitos mais excelentes treinadores do que realmente existem.

Aproveito para partilhar uma tabela retirada do “Gordo, vai à baliza” que por sua vez a retirou do “Cabelo do Aimar”.

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Quaresma destrói teorias

Os fanáticos da boa decisão nunca compreenderão jogadores como o Quaresma e nunca os colocariam a jogar, até porque são mais exigentes que Mourinho e Jesus. 

Primeiro, porque graduam tudo sob a lente da decisão, mas paradoxalmente não distinguem a decisão mais determinante para o sucesso da equipa de uma decisão a la João Moutinho. Segundo, porque não entendem que a decisão é orfã de parâmetros técnico-táticos e físicos ( logo não é sensato esquece-los), e que estes podem compensar uma menor capacidade na hora de decidir. Não sendo esta realidade a ideal, muitas vezes resolvem só por si os problemas que os supostos jogadores inteligentes se revelam impotentes para resolver.

Gonçalo Guedes mais forte que Ronaldo?

“É um talento emergente do futebol português e, na minha opinião, pode tornar-se mais forte que Cristiano Ronaldo”, defendeu o empresário de Gonçalo Guedes.

A inexistência de um código de conduta rigoroso aplicável aos empresários do futebol torna estas afirmações sem punição. Se ontem foi abordada a importância dos treinadores colocarem água na fervura no que respeita ao manter o ego dos jovens jogadores inamovível, hoje destaca-se a estúpidez humana.

Qual a vantagem de proferir estas afirmações completamente sensacionalistas na perspetiva do jovem atleta? Nenhuma, a não ser criar ilusões que competirá depois ao Jesus gerir com a ajuda de um extintor.

Na perspetiva do empresário percebe-se a avidez, a pressa em potenciar um dos seus ativos. Mas não seria suposto que este olhasse primeiro para os interesses do seu representado em vez do próprio umbigo?

Urge às instâncias regular o papel dos agentes do futebol. Não é bom para o espetáculo observar no palco principal uns a potenciar o sucesso futebolístico dos jovens e os demais a potenciar os próprios bolsos e o risco de mais uma promessa falhada.

“Talisca tem muito que penar para chegar à seleção principal do Brasil”

Palavras de Jorge Jesus.

Vamos então dissecar a mensagem:

Talisca não tem que penar assim tanto para chegar à seleção do Brasil (até porque a seleção do Brasil não é o que era. O rótulo de qualidade que outrora era garantido aos selecionados pela canarinha já não é tão categórico como outrora), basta continuar a trabalhar como tem feito até aqui e perto está da sua primeira internacionalização. No entanto, Jorge Jesus, e muito bem, receia que ego do jovem talento lhe destrua a carreira e nada como lhe ir mandando uns baldes de água fria para não sonhar demais e não perder o foco. Trata-se de um jovem de 20 anos, fora do seu país, a ganhar muito mais do que estava acostumado, tentado por tudo quando é lado. Se se mentaliza que é um caso sério do futebol  e que portanto se aproximam outros campeonatos, melhores contratos, mais dinheiro, seleção e fama, pode efetivamente perder-se. Seria um erro crasso deixar a humildade, assumir uma posição que já sabe tudo e que já é melhor e que portanto já não precisa de trabalhar mais do que os outros e quiça, que até se pode dar a certos luxos comportamentais (fora dos padrões aceitáveis) como que a aferir que tem estatuto, que é diferente.

Por outro lado, a mensagem tem o efeito de chegar aos sócios, adeptos benfiquistas e comunicação social. Passar a ideia que o Talisca ainda não é ninguém e que por isso não há razões para tanto alarido. Que tudo pode ainda falhar (apesar de estar convicto que tal não irá suceder). É importante que as massas se acalmem porque podem mexer com o jogador, levando a acreditar que já é aquilo que ainda nunca foi. No fundo, o aspeto da humildade e da necessidade de aprender e trabalhar mais do que os outros que devem permanecer intocáveis e para isso convém que o mundo que cerca o Talisca se comporte como se nada de extraordinário se tivesse passado, deixando o ego do jogador continuar a hibernar.

Ao treinador não lhe bastam competências técnicas, mas as de um autêntico gestor de recursos humanos e gestor de expectativas. Os jogadores são vulneráveis, o dinheiro, a juventude e a fama agudizem essa vulnerabilidade. Perder o foco é muito fácil. pelo que qualquer treinador deve estar sempre com o radar ligado para aqui e ali ir apagando os respetivos fogos, baixando as expetativas (dos adeptos, do atleta, dos media, do empresário) e ir fazendo discursos que suportam essa preocupação. Para nós, que somos lúcidos, cumpre-nos ler nas entrelinhas e reinterpretar o texto, para os destinatários, será ótimo que a mensagem passe exatamente como ela é.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista a Jorge Jesus

“Depois, o Nani veio dar uma grande qualidade à equipa do Sporting, é um excelente jogador, de nível muito alto. Há bons e grandes jogadores e o Nani é um grande jogador. Um bom jogador é aquele que joga bem e o grande é aquele que joga bem e coloca os outros a jogar bem, que é o caso do Nani”, Jorge Jesus in Record.

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Retiro uma peça da entrevista de Jorge Jesus, que depois de louvada pelo blog Lateral Esquerdo, me trouxe alguma comichão aos ouvidos. Não ponho em causa o facto do Nani ser um grande jogador. Para mim é consensual, mas aquilo com que eu não concordo plenamente é o facto do grande jogador ser aquele que coloca os outros a jogar bem. Nem sempre acontece, nem mesmo com Maradona.

Compreendo a ideia de Jorge Jesus. Um grande jogador tem a capacidade de criar lances que potenciam o sucesso dos outros. Quem jogou futebol sabe que é distinto receber uma bola aos trambolhões do que em conta, peso e medida. Que no primeiro caso a possibilidade de darmos seguimento à jogada com qualidade é incomparavelmente superior à do segundo caso. Ter um grande jogador na equipa significa que eu, enquanto jogador “normal”, vou ter acesso a participar em jogadas, que nunca na vida me confrontaria e que nunca idealizei que pudessem ser postas em prática. Um grande jogador pensa e executa muito melhor do que os outros. E é nesta dupla abordagem que o jogador banal poderá “começar a jogar bem”, no fundo, a executar melhor (porque é lhe dada a possibilidade da receber ou de colocar a bola em melhores condições) e a pensar melhor porque passa a fazer parte da linha de pensamento, a dar sequência a algo, que ele, só por si, nunca teria genialidade para criar.

No entanto, ficarmos apenas nesta tónica induz em erro. Está incompleta. É falsa. Há sempre um risco de um jogador banal se banalizar ainda mais quando confrontado com um grande jogador. Perante o belo, o feio fica mais feio ainda. Se tenho tijolos nos pés, perante alguém que os tenha de porcelana, vai agudizar o meu estado miserável. Não será difícil de encontrar situações em que após uma boa jogada de um grande jogador, vem a ovelhinha negra estragar tudo. A ovelhinha deixou de passar despercebida. Anteriormente escondida na boçalidade geral, digna é agora de holofotes pelos piores motivos. Perante a genialidade do colega a sua mediocridade é realçada. Dito por outras palavras, um grande jogador nem sempre coloca os outros a jogar bem, muitas vezes evidencia o quanto aqueles jogam mal.

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