La Stratégie

by Alexander Sweden

Tag: Fàbregas

Porque razão joga Sálvio e Ola John fica na bancada?

A resposta é muito simples, menos para os supostos especialistas que tanto advogam mas não sabem o que é a boa decisão.

Os erros com que me deparo não dizem respeito à divisão conceptual: decisão sem bola e com bola, até porque esta é fácil, mas principalmente a dois fatores:

– A desvalorização da primeira face à segunda;

– A errónea interpretação do que é a boa decisão com bola.

No que respeita ao primeiro ponto, Sálvio apresenta muitos golos porque decide muitas vezes bem sem bola, não obstante este aspeto ser muitas vezes desvalorizado (Ronaldo sofre com o mesmo fenómeno). Como se aparecer sem oposição para finalizar fosse apenas mérito do último passe (veja-se no primeiro vídeo o movimento inteligente do Sálvio no golo marcado contra o Belenenses) – ou a forma como se coloca o corpo para ganhar uma disputa, não possa ser fundamental e revelador de uma boa decisão sem bola (veja-se no segundo vídeo o golo do Sálvio contra o Moreirense – 1:03).

O facto de alguém aparecer sozinho não acontece a maioria das vezes por mera sorte ou pelo facto de ser possuidor de super-poderes que afastam os adversários. O último golo do Benfica marcado por Sálvio a passe de Gaitan (após grande jogada deste) foi importante para revelar as tendências mais recentes que vejo circular na blogsfera. Em nome de uma suposta intelectualidade, louva-se o assistente e coloca-se na jarra o finalizador. Parece que não há forma de encontrar o meio-termo. Se outrora, o foco incidia excessivamente no goleador, hoje tudo serve para elogiar o criador e desprezar o que culmina tão importante tarefa. Não faz sentido passar de uma obsessão pelo goleador e transferi-la para o jogador que faz a assistência. Ambos merecem ser valorizados. Se muitas vezes o jogador que assiste decidiu bem com bola, o que finaliza decidiu, num primeiro momento, bem sem bola e posteriormente bem com ela (ainda que muitas vezes esta última decisão seja bem fácil de tomar). Esta tendência também serve para desculpabilizar o avançado que não marca golos (tipo Postiga) pelo que supostamente dá ao jogo, quando o principal papel deste é marcar golos (o que não significa que não tenha de dar ao jogo). Será que um defesa central que não desempenha o seu principal papel, continuará a ser visto como um grande defesa só porque faz muitas assistências ou marca golos? No entanto, quando se fala de avançados já são merecedores de dois pesos, duas medidas.

Sobre o segundo ponto, certas escolas dão um conceito curioso e sui generis à decisão com bola. Parece que esta só é real quando estamos perante passes à Fàbregas ou nos referimos ao último passe tal como previamente o havíamos idealizamos e com o qual nos deleitamos. O simples passe para o lado pode ser uma ótima decisão (porque descongestiona e pode provocar o efeito harmónio – Ver aqui). Passes de morte, revelam boas decisões com bola? Seguramente que sim, mas isso não significa que passes menos imediatos rumo ao sucesso, não sejam dignos da mesma adjetivação. E quando não se adota a suposta melhor decisão, mas ainda assim contribui-se para o sucesso da equipa? Não se valoriza, esquece-se e recalca-se só porque o jogador não fez o que achámos que devia fazer. Tiramos o jogador do centro do mundo e colocámos no lugar dele o nosso intelecto ?

As tendências para radicalizar, para transformar o que é cinzento no preto e no branco, de forma a compreender todo o fenómeno futebolístico demonstra insegurança e revela insensatez. O futebol é demasiado complexo para que percamos o nosso tempo a tentar catalogar tudo de forma hermética e teimar em recusar ver o futebol como um todo, só porque é mais fácil e confortável analisá-lo de forma compartimentada seguindo certas tendências sensacionalistas.

Decisão (com e sem bola)

A melhor forma de ganhar o 1 X 2 não é passar pelos adversários com bola, mas sem ela. Neste contexto, a decisão com bola e sem bola são cruciais (desde que suportada por índices físicos e técnicos de primeira água).

Volto a recordar o lance do Diego Costa, porque é um dos lances mais incríveis que tive oportunidade de ver nos últimos meses. Está na minha zona alpina futebolística. A boa decisão sem bola do Diego Costa (e com bola do Fàbregas) valeu-lhe mais do que toda a técnica de drible do mundo, no entanto, a procura do espaço, e a conquista do mesmo, não seriam suficientes ainda assim. A boa decisão estava refém daquela técnica de receção, daquela técnica de remate, daquela intensidade. Dá prazer quando as coisas correm bem quando tanta coisa podia correr mal…

Não me custa acreditar que neste lance Fernando Torres não tomaria a melhor decisão sem bola, mas ficaria a aguardar que o Cesc lha metesse no pé, para depois virar-se para os seus dois oponentes, constar que não tinha apoios e perder a posse da bola. Alguns justificariam o jogador, dizendo que naquele contexto de inferioridade tomou a melhor decisão, considerando-o mais vítima que culpado. Analisando numa perspetiva de decisão com bola, até poderia concordar, mas recorrendo ao parâmetro “decisão sem bola”, constataria que teria tomado uma decisão terrível.

Quando se afirma que um jogador toma boas decisões, importa analisar numa dupla abordagem: com e sem bola. Não basta apenas tomar boas decisões com bola e esquecer a decisão sem bola, ou vice-versa. Decidir bem, significa que se dominam as duas abordagens.

(Principalmente a partir do 4:08)

 

Decidir bem, sim, mas não basta!

No sentido daquilo que tenho defendido neste espaço, a boa decisão ou a suposta melhor decisão com bola não é suficiente só por si, nem serve para aferir se determinado jogador é um valor seguro, se merece a aposta do seu treinador, se é um grande jogador.

A capacidade de tomar boas decisões, algo muito importante, no futebol, fica coxa se não for acompanhada por excelentes aspetos técnicos, físicos e mentais (entre outros). Criando aqui uma figura mais radical para que todos me entendam (porque as pessoas não são obrigadas a perceberem tudo de antemão), pensemos na hipótese de um jogador de futebol digno de um “solteiros contra casados”. Condição física deplorável, capacidade técnica de fazer medo ao susto, mas que ainda assim, entende o jogo todo e dentro dos parâmetros que possui, adota sempre a melhor decisão, mesmo que às vezes  a melhor decisão seja mandar a bola para fora quando está prestes a ver-se rodeado por 3 adversários.  Olhando apenas para o parâmetro “boa decisão” terei que congratular o jogador. Em todos os lances onde interveio, adotou uma boa decisão, senão mesmo, a melhor decisão (dentro daquilo que poderia oferecer). Infelizmente o seu contributo não me fez ganhar o jogo. Devo por isso contratá-lo ou devo preferir outro jogador que nem sempre tome as melhores decisões, mas que o saldo final apresentado em prol da equipa seja superior?

Passando este exemplo, porque não existe no futebol profissional, recordo André Martins. Toma boas soluções, sem dúvida, mas como é tão fraco em outros parâmetros, tal realidade limita-o  naquilo que consegue oferecer à equipa. As suas boas decisões são sempre tomadas a um nível tão baixo (porque lhe faltam outros parâmetros demasiado importantes para serem esquecidos), que aquelas só por si não o transformam num grande jogador, nem tão pouco numa grande mais-valia para a equipa. Não será preferível um jogador que decida menos vezes bem, mas que quando o faz (porque é um jogador mais apto e completo em outros parâmetros) atinge um nível da decisão ou concretiza determinadas jogadas (mesmo que estas não sejam as supostas melhores decisões) que para o André Martins são inalcançáveis, aportando assim de uma forma muito mais determinante para a sua equipa?

Não obstante as boas decisões do André Martins, não é estranho não o vermos fazer passes à Fàbregas, porque apesar de ter capacidade física que lhe permitissem gizar aqueles passes a rasgar, não tem capacidade técnica de passe que lhe permita meter a bola no buraco da agulha, como mais grave, não consegue idealizar a jogada em termos mentais para depois a executar porque são demasiado elevadas para serem concretizadas pelos seus neurónios. Se não as idealiza não as concretiza. E quando as idealiza,  também não as concretiza porque lhe falta capacidade técnica de passe ou nem sequer lhe surge a oportunidade do fazer, fruto da sua débil capacidade de se manter em pé mantendo a posse da bola. Decide muitas vezes bem, mas só que a um nível tão baixo, fruto das outras competências que lhe faltam, que raramente contribui de uma forma determinante para a sua equipa.

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