La Stratégie

by Alexander Sweden

Tag: Drible

Tiki-taka?

1Tendo em conta que a blogsfera leonina (e a capa do jornal Record) anda em polvorosa com o lance do terceiro golo do Sporting no último jogo da Champions, achei interessante partilhar convosco alguns, poucos, comentários.

Qual era uma das chaves do sucesso do tiki-taka? Seguramente o adormecimento do adversário através de constantes trocas de bolas (normalmente através de passes médios e curtos) para depois, num ápice, num gesto repentino, quebrar a monotonia e atacar o adversário, tal predador que se mantêm inamovível até despoletar o golpe fatal na vítima distraída. Neste caso, o golpe fatal foi dado por “La Culebra” (suportado por índices físicos fora do normal) e uma decisão (mental e física) bastante oportuna (nem sempre abundante neste jogador).

O lance em análise (disponível aqui) utiliza a mesma fórmula (mas é distinto jogar tiki-taka do que fazer algumas jogadas pontuais de tiki-taka, realidade esta que se observa em muitas equipas de futebol) e é digno de louvor, não só pela dificuldade de haver sucesso quando tantos elementos dão o seu contributo, como pela beleza plástica que nos proporciona.

O mais curioso, no entanto, é que no meio de tanta boa decisão, o que proporcionou a melhor delas (o passe de morte do peruano), foram os aspetos técnico-físicos do Carrillo. No contexto da boa decisão muitas vezes o aspeto catalisador, o que permite subir o degrau da excelência no aspeto decisório, é o físico e a técnica. Sem estes, a decisão muitas vezes é exercida apenas num âmbito de entretenimento do que num aspeto crucial para sucesso da equipa. A melhor decisão (a que mais contribui para o sucesso), muitas vezes está refém de um lampejo de força, de velocidade ou do drible fora do comum de algum dos seus intervenientes. Porque o futebol não é xadrez, não necessita apenas do cérebro, porque sem um físico que lhe dê corpo, as boas ideias podem não sair do plano intermédio. Dão boas oratórias, mas muitas vezes não ganham jogos.

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A técnica

Desde que me lembro, tenho ouvido supostos especialistas afirmarem que determinado jogador é bom ou é mau tecnicamente. Importa então questionar o que significa “técnica” no contexto futebolístico. Aqui defendemos que é sinónimo de habilidade para lidar com a bola nos mais diversos aspetos de jogo. A técnica pode deste modo dividir-se em 8 sub conceitos:

– Receção: Zidade era um dos expoentes máximos. Se houver boa capacidade neste parâmetro, a bola, venha ela de onde vier e como vier, estará condenada, à partida, a ficar limitada à esfera de atuação do recetor. Dentro deste conceito, podemos distinguir receção pura e simples da receção orientada. A primeira significa dominar a bola sem qualquer outra preocupação senão esta. Dominar esta abordagem permite que a equipa mantenha a posse de bola. A segunda acontece sempre que o jogador não só domina a bola, como, nesse gesto, a prepara para dar-lhe sequência: passe, remate ou apenas a proteção do esférico. Esta última vertente, além de permitir que a equipa mantenha a posse de bola, potencia maior imprevisibilidade quando comparada com o domínio puro e simples.

Neste vídeo (aos 17  segs.) é possível verificar uma extraordinária receção orientada por parte de Zidane.

– Drible: Está relacionado com a capacidade que o jogador, com bola, tem para retirar o adversário da zona de cobertura e não implica obrigatoriamente que seja executada em corrida, já que existem as chamadas fintas de corpo (a lembrar Ronaldinho) que podem revelar boa capacidade de drible, sempre que com estas se consegue enganar o adversário e tirá-lo da zona nevrálgica de ação. Normalmente “técnica” associa-se sobremaneira ao parâmetro “drible”. Discordamos por ser demasiado redutor. Técnica é muito mais do que isso;

– Passe (curto, médio, longo, reto, em arco, tenso, bombeado, etc.): Beckham foi um dos jogadores com mais técnica neste vetor (especialmente no que respeita a passes médios, longos, tensos e em arco).  Um dos aspetos mais importantes do futebol diz respeito ao capítulo do passe, porque é este que liga a equipa, que contribui para determinar estratégias (jogar para ou pelo corredor central, jogar para ou pelo o corredor lateral) e que potencia o êxito dos colegas (os chamados passes de morte, onde Fàbregas é maravilhoso);

– Remate (com os pés ou com a cabeça, de bola corrida ou parada): A forma como se remate (curta, média, longa distância) exige técnica. Ainda que seja um contacto rápido e único com a bola, a técnica (leia-se, a forma como o contacto com a bola, apoiado pela posição corporal, ocorre)  é determinante. Há jogadores, como o Lampard, que revelam um grande índice de aproveitamento em remates de meia distância, quando comparados com a média, porque possuem técnica.

– Tackle (com os pés ou com a cabeça, de bola corrida ou parada): Mesmo no desarme é possível graduar a habilidade no contacto com a bola.  O tackle pode exigir um excelente nível técnico, desde a apuradíssima técnica do corte à flor da relva à Gamarra (que usava o calcanhar para roubar a bola ao oponente e ficar com ela) e porque não, à Marco Aurélio (que utilizava aquela perna longa para “pisar” a bola e resgatá-la ao adversário), aos  cirúrgicos cortes de cabeça que no mesmo gesto não só desviam a bola como a colocam no companheiro de equipa (Pepe é muito bom nesta abordagem). A técnica no tackle potencia não só o sucesso na eliminação da posse de bola do adversário de forma mais eficiente e conclusiva (é diferente cortar a bola para fora, dando a bola novamente no adversário, do que a colocar num dos seus colegas de equipa), como tem um papel importante no despoletar de jogadas no processo de transição momento defensivo/momento ofensivo, dando-se este mais rapidamente (é diferente um corte contra as pernas do adversário que dá lançamento, apenas marcado alguns segundo depois, que um corte que direciona a bola direitinha para o colega da equipa) e de forma mais eficaz (porque quanto mais rápida é a transição mais hipóteses há de apanhar a equipa adversária desorganizada defensivamente).

Neste vídeo é possível constatar que há determinados desarmes que exigem uma considerável capacidade técnica por parte do executante.

– Lançamento: Colocar a bola com as mãos no terreno de jogo, além da técnica rudimentar exigida, revela que esta pode ser importante para transformar simples lançamentos em autênticos cantos. Não basta força, exige conciliação desta com a capacidade da colocar na zona desejada, ou seja, exige técnica. Fazendo alusão aos guarda-redes, quanto maior técnica maior capacidade haverá de colocar a bola com conta peso e medida no colega (quem se pode esquecer as bolas teleguiadas enviadas pelas mãos do gigante Schmeichel quase até à linha do meio campo?).

Se isto não é técnica ao serviço do futebol não sei o que será! (mas a seguir podia ir para o circo que ninguém se importava).

– Guardar a bola: Manter a bola protegida e fora do alcance do adversário exige técnica. Pedro Barbosa foi um dos maiores exemplos da importância desta habilidade. Permite manter a posse de bola e pautar o ritmo de jogo (leia-se, decidir se avanço já para a próxima etapa – passe, drible, remate – ou se aguardo por melhor momento);

– Defesa (Guarda-redes): A forma com os guarda-redes defendem as suas balizas são reveladoras do nível da técnica que ostentam. A melhor técnica será aquela que melhor permitirá ao guardião impedir o golo, independentemente da elegância com que o faz. A elegância é uma técnica, mas não no sentido aqui tratado, não só porque futebol não é bailiado, como não tem repercussão direta na eficácia como a bola é retirada.

Neste vídeo é possível constatar a técnica ao serviço da baliza (1.18 segs. e  2.32 segs.)

Quando alguns afirmam que um jogador é fraco tecnicamente, nem sempre corresponde à verdade. Importa ter noção do conceito, analisar e só então qualificar.  Jardel era fraco no “drible” mas era fortíssimo no “remate” (principalmente, mas não só, de cabeça). Dominguez era ótimo no drible, mas era surreal no passe. Becham era formidável no passe e no remate mas era fraco no tackle (não porque fazia poucos carrinhos mas porque recuperava poucas bolas ao adversário). Todos eles eram bons tecnicamente, desde que analisados pelo parâmetro que mais os favorecia. E todos eles eram fracos tecnicamente, desde que analisados pelo parâmetro que mais os desfavorecia.

Zidane

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