La Stratégie

by Alexander Sweden

Tag: Benfica

Como avaliar um treinador?

Leio aqui que  “O treinador deve ser avaliado pelo processo. Pela organização da sua equipa. Nunca pelo resultado, não ignorando que com organização garantidamente que obterá bons resultados para o contexto que exerce.”

Não posso concordar com esta necessidade veemente de tentar colocar tudo nas devidas gavetinhas, quando as coisas devem ser analisadas de uma forma muito mais heterógena.

Um treinador que supostamente organiza muito bem a sua equipa mas perde mais do que ganha, isso fará dele um bom treinador?  Será que organiza assim tão bem a sua equipa se não cumpre com os objetivos previamente delineados? E quando organiza mas não apresenta resultados? Quanto a mim, um treinador responde  e deve ser avaliado pelos resultados. Tal como um gestor de top que responde acima de tudo pelos resultados que apresenta e não propriamente pela organização que implementou. São os resultados que lhe garantem prémios chorudos ao final do ano. Os resultados são o fator mais importante numa empresa e são eles que permitem concluir que houve uma boa organização. E não a boa organização que leva a concluir que vai haver bons resultados, porque a organização é apenas uma quota parte  do sucesso. É um importante indiciador, mas necessita de ser comprovado pela apresentação dos resultados. Só por si, a organização não é suficiente nem garante o êxito. Há mais fatores em jogo.

Jesus organiza bem as suas equipas mas farta-se de falhar objetivos. Quanto a mim a organização é apenas um pequeno aspeto de um treinador de futebol. Há muito mais do que isso na sua esfera de competências. Se fosse só isso, haveria muitos mais excelentes treinadores do que realmente existem.

Aproveito para partilhar uma tabela retirada do “Gordo, vai à baliza” que por sua vez a retirou do “Cabelo do Aimar”.

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Porque razão joga Sálvio e Ola John fica na bancada?

A resposta é muito simples, menos para os supostos especialistas que tanto advogam mas não sabem o que é a boa decisão.

Os erros com que me deparo não dizem respeito à divisão conceptual: decisão sem bola e com bola, até porque esta é fácil, mas principalmente a dois fatores:

– A desvalorização da primeira face à segunda;

– A errónea interpretação do que é a boa decisão com bola.

No que respeita ao primeiro ponto, Sálvio apresenta muitos golos porque decide muitas vezes bem sem bola, não obstante este aspeto ser muitas vezes desvalorizado (Ronaldo sofre com o mesmo fenómeno). Como se aparecer sem oposição para finalizar fosse apenas mérito do último passe (veja-se no primeiro vídeo o movimento inteligente do Sálvio no golo marcado contra o Belenenses) – ou a forma como se coloca o corpo para ganhar uma disputa, não possa ser fundamental e revelador de uma boa decisão sem bola (veja-se no segundo vídeo o golo do Sálvio contra o Moreirense – 1:03).

O facto de alguém aparecer sozinho não acontece a maioria das vezes por mera sorte ou pelo facto de ser possuidor de super-poderes que afastam os adversários. O último golo do Benfica marcado por Sálvio a passe de Gaitan (após grande jogada deste) foi importante para revelar as tendências mais recentes que vejo circular na blogsfera. Em nome de uma suposta intelectualidade, louva-se o assistente e coloca-se na jarra o finalizador. Parece que não há forma de encontrar o meio-termo. Se outrora, o foco incidia excessivamente no goleador, hoje tudo serve para elogiar o criador e desprezar o que culmina tão importante tarefa. Não faz sentido passar de uma obsessão pelo goleador e transferi-la para o jogador que faz a assistência. Ambos merecem ser valorizados. Se muitas vezes o jogador que assiste decidiu bem com bola, o que finaliza decidiu, num primeiro momento, bem sem bola e posteriormente bem com ela (ainda que muitas vezes esta última decisão seja bem fácil de tomar). Esta tendência também serve para desculpabilizar o avançado que não marca golos (tipo Postiga) pelo que supostamente dá ao jogo, quando o principal papel deste é marcar golos (o que não significa que não tenha de dar ao jogo). Será que um defesa central que não desempenha o seu principal papel, continuará a ser visto como um grande defesa só porque faz muitas assistências ou marca golos? No entanto, quando se fala de avançados já são merecedores de dois pesos, duas medidas.

Sobre o segundo ponto, certas escolas dão um conceito curioso e sui generis à decisão com bola. Parece que esta só é real quando estamos perante passes à Fàbregas ou nos referimos ao último passe tal como previamente o havíamos idealizamos e com o qual nos deleitamos. O simples passe para o lado pode ser uma ótima decisão (porque descongestiona e pode provocar o efeito harmónio – Ver aqui). Passes de morte, revelam boas decisões com bola? Seguramente que sim, mas isso não significa que passes menos imediatos rumo ao sucesso, não sejam dignos da mesma adjetivação. E quando não se adota a suposta melhor decisão, mas ainda assim contribui-se para o sucesso da equipa? Não se valoriza, esquece-se e recalca-se só porque o jogador não fez o que achámos que devia fazer. Tiramos o jogador do centro do mundo e colocámos no lugar dele o nosso intelecto ?

As tendências para radicalizar, para transformar o que é cinzento no preto e no branco, de forma a compreender todo o fenómeno futebolístico demonstra insegurança e revela insensatez. O futebol é demasiado complexo para que percamos o nosso tempo a tentar catalogar tudo de forma hermética e teimar em recusar ver o futebol como um todo, só porque é mais fácil e confortável analisá-lo de forma compartimentada seguindo certas tendências sensacionalistas.

Talisca

Cenário hipotético:

50 decisões erradas do Talisca, uma decisão certa, um golo e consequente vitória do Benfica

ou seria preferível

51 decisões  certas do Talisca e empate do Benfica?

 

p.s. Relativamente  às comparações do Talisca com o Rivaldo só podem significar o seguinte:

– nunca treinaram o Rivaldo e/ou o Talisca

– Nunca viram o Rivaldo jogar (observar  vídeos de 5 minutos não é ver jogar o Rivaldo)

– As comparações entre jogadores do presente e do passado são fúteis e não trazem nenhuma mais-valia para o futebol e  não há dois jogadores iguais.

Talisca

O Engomadinho, o Espalha-brasas, o Que Não Vale Nada e o Puto Cheio de Tesão

Sempre que lido com um jogador pela primeira vez tenho a tendência natural em catalogá-lo ab initio. Não penso que seja um equívoco, desde que depois tenha a flexibilidade de admitir o erro de uma análise mal fundamentada e tratar de inseri-lo na classe correta.

Para ser mais explícito tratarei de explicar o que significa cada uma das categorias de jogadores. Outras existem mas não quero ser demasiado exaustivo. E há também as chamadas zonas cinzentas. Jogadores que não podem ser catalogados numa única categoria porque preenchem elementos caracterizadores de várias. Para aqueles que levam a vida demasiado a sério e pensam que os profissionais não usam expressões coloquiais receio que não apreciem o tom.

O Engomadinho – Trata-se do jogador que usa o cérebro em prol do físico e da técnica. O que decide normalmente bem, que adota invariavelmente as supostas melhores decisões. O porto de abrigo da equipa. No fundo, o Xabi Alonso que qualquer treinador gostaria de ter na sua equipa. São normalmente fáceis de identificar, normalmente têm uma personalidade mais contida, falam para o balneário de uma forma ponderada, sensata e transportam esse modus operandi para o retângulo de jogo. Primeiro pensam, e depois agem. Não tem tesão, mas não precisam, são falinhas mansas. O seu jogo de sedução no retângulo de jogo é outro. Estão num outro paradigma. No Sporting começa a surgir o Adrien Silva (após a reciclagem operada por Marco Silva), o João Mário e o William Carvalho. No Benfica nitidamente o Luisão ou o Enzo Peres. No Porto, ainda não é consensual. Este ano o elemento com estas características ainda não deitou a cabecinha de fora. Rúben Neves, quiçá, mas importa dar tempo ao tempo.

O Espalha-brasas – É o jogador que encanta as plateias, é dotado tecnicamente, sustentado por grandes índices físicos em determinados parâmetros (seja nos gestos contra natura, na velocidade, no pique, na impulsão). Pode nem sempre decidir bem (quando o faz habitualmente passa a ser um grande jogador), por vezes adota soluções supostamente estúpidas que muitas vezes dão resultado e quando assim é são jogadores imensamente úteis. Perante este tipo de jogadores, vale a pena por vezes gritar ao longo da linha “no 1 X 2 esfrangalha os gajos”. No Sporting temos o Nani (um grande jogador porque não obstante ser um espalha-brasas é inteligente com e sem bola) e o Carrillo. No Benfica temos o Sálvio. No Porto, o Quaresma e o Tello.

O Que Não Vale Nada – Tal como o nome diz não é bom em nada. Em alguns aspetos pode ser razoavelmente bom, mas depois apresenta índices miseráveis em muitos dos outros parâmetros. Até pode ter toque de bola, fixa, prende, passa, mas fica-se por ai. Ou, no caso de ser um jogador em posições defensivas, roubar umas quantas bolas ao adversário mas a maior dificuldade é depois sair a jogar e potenciar o roubo num momento ofensivo da equipa. Por uma questão de pudor e respeito, não irei invocar nomes. O que um treinador pode fazer perante um jogador destes no seu plantel? Se for novo pode trabalhá-lo, tentar que adquira outras competências, não vá o problema ter sido no processo formativo e não propriamente no jogador. Se já não for novo, analisar o seu perfil, pode ser um elo estabilizador do balneário, mas mesmo nesta hipótese importa colocar o seu nome na lista de dispensáveis na próxima abertura de mercado. Uma equipa que joga para ganhar não pode ter elementos deste cariz. Se é importante em termos de balneário, volte quando terminar a carreira.

O Puto Cheio de Tesão – Vindo das camadas formativas, normalmente está galvanizado, cheio de tesão pela bola, para demonstrar que tem valor. Muitas vezes isso pode virar-se contra si. Se for um jogador com uma grande capacidade técnica possivelmente quererá levar a bola para casa em pleno terreno de jogo. Ai entra a capacidade pedagógica do treinador. Aproveitar a tesão, mas vocacionando-a para a evolução, para o uso do cérebro antes de ser comportar com um velho porco num colégio de virgens impolutas. Se já tiver mais vocação para pensar o jogo, recordar-lhe que Roma e Pavia não se fizeram num dia. Que em cada lance não tem de descobrir a pólvora. Que jogar simples, lateralizar o jogo, é muitas vezes a suposta melhor decisão (apesar de Freitas Lobo discordar porque é um poeta e não entende o futebol). Adoraria ter acompanhado in loco o surgimento do Toni Kross nos seus primeiros tempos de profissional. Tanta aptidão num só corpo faz confusão, onde a decisão, a capacidade técnica e física decidiram agregar-se na mesma pessoa. A tesão levou-o inicialmente a ocupar terrenos mais avançados, com a maturidade recuou, porque o tipo de boas decisões que adota são mais determinantes em terrenos mais recuados. É um jogador brilhante, mas perigoso, porque parece fácil tudo aquilo que faz, mas é tão difícil. Ele não tem o cérebro de um rapaz de 24 anos, ele transporta consigo a maturidade de um homem de 80 anos.

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“Eu debito sentenças”

Percorrer a blogosfera e os canais de TV e enfrentar  o constante debitar de sentenças pode tornar-se um exercício penoso para quem acredita na evolução de um jogador de futebol.

Aproveitando o jogo da seleção nacional, recordo-me perfeitamente a forma como Cédric, na sua primeira internacionalização A, foi crucificado em praça pública. Os detratores, que afirmaram a plenos pulmões que este jogador não servia, e que possivelmente serão os mesmos que reivindicaram há 12 anos atrás que o Luisão também não seria importante (neste caso para o Benfica), demonstram que não acreditam na evolução de um jogador. Aquilo que ele é hoje, é o que será amanhã. Por outras palavras, não acreditam na formação e seus efeitos, ou julgam que esta só faz sentido em idades mais tenras ou perante alguns atletas escolhidos a dedo.

Para mim, a formação, não só produz resultados, como é um processo que deve acompanhar todo o percurso profissional de qualquer jogador. É natural que os seus efeitos sejam mais evidentes nos primeiros anos, porque há mais terreno virgem a percorrer, mas fechar a porta a esta dinâmica, é o mesmo que defender que um trabalhador, a partir de certa idade, não pode melhorar, não pode adquirir novas competências. É viver dentro de uma caixa (e o mundo todo lá fora).

Fazer um jogo mau, principalmente quando se trata de uma estreia, nunca poderá significar o exterminar irremediável de um jogador, tal como um mau dia na vida do comum mortal não significará, obrigatoriamente, que se venha tornar, a partir daí, o ser mais infeliz do planeta.

Compete ao treinador apostar na constante melhoria dos seus pupilos e deixar o debitar de sentenças e a assunção de opções radicais para quem não compreende o futebol, para quem que prefere hiperbolizar a realidade momentânea em detrimento de uma visão global, como quem anda à procura de um protagonismo que não lhe pertence e que resolve o problema no futuro assobiando para o ar.

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