La Stratégie

by Alexander Sweden

Tag: André Martins

Decidir bem, sim, mas não basta!

No sentido daquilo que tenho defendido neste espaço, a boa decisão ou a suposta melhor decisão com bola não é suficiente só por si, nem serve para aferir se determinado jogador é um valor seguro, se merece a aposta do seu treinador, se é um grande jogador.

A capacidade de tomar boas decisões, algo muito importante, no futebol, fica coxa se não for acompanhada por excelentes aspetos técnicos, físicos e mentais (entre outros). Criando aqui uma figura mais radical para que todos me entendam (porque as pessoas não são obrigadas a perceberem tudo de antemão), pensemos na hipótese de um jogador de futebol digno de um “solteiros contra casados”. Condição física deplorável, capacidade técnica de fazer medo ao susto, mas que ainda assim, entende o jogo todo e dentro dos parâmetros que possui, adota sempre a melhor decisão, mesmo que às vezes  a melhor decisão seja mandar a bola para fora quando está prestes a ver-se rodeado por 3 adversários.  Olhando apenas para o parâmetro “boa decisão” terei que congratular o jogador. Em todos os lances onde interveio, adotou uma boa decisão, senão mesmo, a melhor decisão (dentro daquilo que poderia oferecer). Infelizmente o seu contributo não me fez ganhar o jogo. Devo por isso contratá-lo ou devo preferir outro jogador que nem sempre tome as melhores decisões, mas que o saldo final apresentado em prol da equipa seja superior?

Passando este exemplo, porque não existe no futebol profissional, recordo André Martins. Toma boas soluções, sem dúvida, mas como é tão fraco em outros parâmetros, tal realidade limita-o  naquilo que consegue oferecer à equipa. As suas boas decisões são sempre tomadas a um nível tão baixo (porque lhe faltam outros parâmetros demasiado importantes para serem esquecidos), que aquelas só por si não o transformam num grande jogador, nem tão pouco numa grande mais-valia para a equipa. Não será preferível um jogador que decida menos vezes bem, mas que quando o faz (porque é um jogador mais apto e completo em outros parâmetros) atinge um nível da decisão ou concretiza determinadas jogadas (mesmo que estas não sejam as supostas melhores decisões) que para o André Martins são inalcançáveis, aportando assim de uma forma muito mais determinante para a sua equipa?

Não obstante as boas decisões do André Martins, não é estranho não o vermos fazer passes à Fàbregas, porque apesar de ter capacidade física que lhe permitissem gizar aqueles passes a rasgar, não tem capacidade técnica de passe que lhe permita meter a bola no buraco da agulha, como mais grave, não consegue idealizar a jogada em termos mentais para depois a executar porque são demasiado elevadas para serem concretizadas pelos seus neurónios. Se não as idealiza não as concretiza. E quando as idealiza,  também não as concretiza porque lhe falta capacidade técnica de passe ou nem sequer lhe surge a oportunidade do fazer, fruto da sua débil capacidade de se manter em pé mantendo a posse da bola. Decide muitas vezes bem, mas só que a um nível tão baixo, fruto das outras competências que lhe faltam, que raramente contribui de uma forma determinante para a sua equipa.

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Boa decisão contra o resto do mundo

Este post surge na sequência da análise e de várias discussões salutares na caixa de comentários do blog Lateral Esquerdo. Partilho aqui, com os meus leitores, algumas ideias essenciais que defendo, trazendo à colação a famigerada “boa decisão”.

Antes disso, aproveito para afirmar que está a nascer uma escola, entre supostos entendidos de futebol, cujo objetivo passa por colocar o item “boa decisão” no pedestal, como se tivessem descoberto a pólvora. Trata-se uma escola errada, perigosa, perversa, e que leva a erros crassos na avaliação de um jogador, permitindo, por exemplo, que se certifique que o Postiga seja colocado no céu e o Diego Costa no inferno. Quando devia ser precisamente o contrário.

Às vezes denoto o erro de muitos comentadores do referido blog ao pretenderem encaixar tudo nas devidas prateleiras, para ficarem descansados e pensarem que percebem de futebol, quando as prateleiras estão todas ligadas entre si. E depois somos obrigados a ler barbaridades que dizem que o Postiga é bom jogador ou que o André Martins é muito melhor que o Adrien Silva. Analisando apenas uma das gavetas, até pode ser, mas na comunicabilidade com as outras, qualquer um daqueles se revela ser um jogador fraco quando comparado com a nata do futebol. Analisar um jogador apenas numa determinada perspetiva leva a um erro de avaliação. Analisar um jogador e louvá-lo apenas tendo em conta a componente “ boa decisão” é não perceber o que é o futebol. É querer transformá-lo num jogo de xadrez quando é muito mais do que isso. E depois não percebem como um determinado jogador, que supostamente devia ser fraco (de acordo com uma análise redutora) é afinal tão requisitado por grandes treinadores e resolvem o dilema assobiando para o ar na esperança que as pessoas se esqueçam que a teoria defendida tem mais buracos que um queijo suíço.

Um jogador tem de ser avaliado num conjunto de competências interligadas entre si. Diego Costa é fraco na decisão? Podemos considerar que sim, só que compensa com outros aspetos que deixa a léguas jogadores que só são bons na decisão. É muito pouco ser-se bom na decisão e esquecer tudo o resto. Eu não quero na minha equipa um jogador que só decida bem, mesmo que isso depois me traga vídeos fabulosos para expor no meu blog. Será dispensado se não evoluir em outros parâmetros.

Defendo que a boa decisão é importante, mas não se deve descurar os atributos técnicos e físicos (do executante e do companheiro), já que que são demasiado cruciais para serem esquecidos.

Sobre a relação dos aspetos técnicos versus atributos físicos, porque parece que há também uma tendência para desprezar a componente física em detrimento da técnica, quiçá porque nos dá um ar mais professoral, recordo o Ronal Koeman. Era tecnicamente evoluído no aspeto do remate, mas sem capacidade física associada a este vertente técnica nunca teria mandado tanto balázio com sucesso para dentro da baliza.

Qual a razão do Cristiano Ronaldo trabalhar tanto a vertente física? Não será apenas uma questão de vaidade. Ele sabe que para potenciar os índices técnicos  e de decisão (seus e dos colegas), estes devem estar suportados em aspetos físicos assombrosos.  Acham que o avançado português aparece tanta vez em posição favorável para marcar porque tem mais sorte do que os outros? Acham que a boa decisão sem bola que manifesta é apenas porque tem uma extraordinária capacidade intelectual de encontrar lugares vazios para receber bola? Analisem a intensidade de CR7 na busca de espaço (sem bola) e tentem imaginar a capacidade física necessária para concretizar tal desiderato.

Falava-se (falei) também na caixa de comentários do referido Blog do Ricardo Quaresma. Já alguém experimentou mandar alguma trivela foguete? Acham que o golo do Lamela é apenas técnica? Experimentem rematar de letra, num gesto técnico perfeito, e verão que a bola saí a uma velocidade ridícula se não suportada por aspetos físicos fora do normal.

Quaresma, por exemplo, que nem é dos meus jogadores preferidos, decide mal, mas compensa muitas vezes isso com outras componentes importantíssimas no jogo. E por vezes essas componentes tornam-no num jogador mais importantes que um jogador que decida quase sempre bem mas em que lhe falte tudo o resto. Conforme defendo, futebol não é xadrez. A “boa decisão” é importante, mas amputar tudo aquilo que a suporta é querer olhar para o mundo através de um canudo. Pior do que isso, é quando esses indivíduos, ainda que de forma tácita, pretendem arrogar-se que sabem mais do que os outros, mesmo perante aqueles que optam por ver todo o panorama e que analisam o futebol como um todo desde os primeiros dias da sua vida.

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