La Stratégie

by Alexander Sweden

Month: Outubro, 2015

A Acrópole dos aspetos decisórios

Muito se tem escrito e falado sobre a decisão com bola, denoto, no entanto, que há um erro estrutural sempre que se aborda esta questão, porquanto é tratada apenas e tão só na perspetiva do portador do esférico e sem se ter em conta as suas características e capacidades.

Passo a explicar. Compete a um jogador de futebol que tem a posse da bola decidir bem, ou seja, contribuir, da melhor forma possível, para o sucesso da equipa (leia-se, marcar golos, ganhar), no entanto, para que este desiderato seja possível de alcançar é necessário que saiba olhar para si mesmo e para os colegas passíveis de receber o passe. Por outras palavras, é necessário que o portador da bola decida tendo em conta as suas próprias virtudes e defeitos, assim como, as dos eventuais recetores. Esta realidade justifica a importância do treino, porque será através dele que cada jogador de futebol se vai conhecendo a si mesmo e vai conhecendo os respetivos colegas de equipa. Ainda por outras palavras, a decisão com bola é refém das características do portador e dos seus potenciais recetores. Se o portador da bola se encontra em boa posição para marcar golo mas existe outro colega melhor posicionado, importa, antes da decisão, que tenha noção das probabilidades de sucesso entre ser ele finalizar (e para isso cada jogador deve estar ciente das suas próprias capacidades) ou optar por passar a bola para o jogador que se encontra melhor colocado (e para isso cada jogador deve estar ciente das capacidades dos colegas).

Tenho visto pela blosgfera que a melhor decisão com bola é indiferente à capacidade do portador da bola,  e principalmente das qualidades e virtudes do eventual recetor daquela, no entanto é redutor pensar-se que a melhor decisão é sempre a mesma independentemente dos protagonistas. Em primeiro lugar a melhor decisão será aquela, entre todas as que podem ser concretizadas pelo portador da bola, a que mais aproxima a equipa do sucesso (Messi tem um maior leque de boas decisões fruto das suas capacidades técnicas e físicas que, por exemplo, João Pereira); em segundo lugar, deve-se acrescentar a este primeiro paradigma  o seguinte aspeto: a melhor decisão será aquela que melhor se adequa à capacidade dos possíveis recetores da bola. Imaginemos o exemplo de um jogador em posição de finalizar mas que tem dois colegas que estão melhor posicionados e que em termos de colocação no terreno é indiferente a qual deles passar a bola. A quem deve o portador passar? De um ponto de vista redutor é igual, desde que passe a bola a qualquer um deles. Tendo em conta o que aqui se defende o portador da bola deve optar por:

                – Passar a bola ao colega que melhor finalizará  (tendo em conta as características de cada um deles);

            – Ser o portador da bola a finalizar desde que, tendo em conta as suas características e as dos dois colegas, esta seja a decisão que maiores probabilidades apresenta de aproximar a equipa do sucesso.

Este exemplo é extensível não só às situações de finalização como em qualquer outra fase do jogo, daí que não seja raro que algumas vezes o portador da bola opte por passar a um colega em detrimento de outro. Muitas vezes, ainda que de forma inconsciente, determinados jogadores são mais procurados pelos colegas exatamente porque são estes os que melhor probabilidades de sucesso trazem à equipa, ainda que, não poucas vezes, nos pareça nonsense a opção por parte do portador da bola.

Dito isto, a melhor decisão não é aquela que teimamos em gizar em quadros demonstrativos, onde invariavelmente traçamos a melhor decisão independentemente do contexto, outrossim aquela que, tendo em conta as características do portador da bola e dos possíveis recetores da bola, oferece as maiores probabilidades de sucesso à equipa. Não é estranho, portanto, que fique chocado, sempre que observo na blogosfera que a melhor decisão, a tomar num determinado momento do jogo, seja sempre a mesma, mas que em momento algum se perca tempo a debater as capacidades do portador da bola e o potencial dos possíveis recetores desta.

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Será Rui Vitória um dos apologistas da máxima “futebol é xadrez”?

Rui Vitória assenta que nem uma luva no ditado “saiu pior que a encomenda”. Desejava-se uma suave passagem  de testemunho e a “estrutura” contrata uma antítese do atual técnico leonino. Se um adora jogar por dentro do bloco e prefere centros para a área apenas, ou principalmente, quando fazem sentido (leia-se superioridade numérica da equipa que ataca e/ou aproveitamento das faltas de marcação da equipa que defende), o ex-vimaranense abomina o jogo interior (talvez porque dá mais trabalho e exige mais sabedoria para desenvolver) e ama o jogo exterior, quase nos levando a acreditar que as balizas estão colocadas nas bandeirolas de canto. Se as balizas estão no centro do terreno porque razão se induz a equipa a explorar as zonas mais distantes, para depois lançar a bola através de passes longos (leia-se cruzamentos), os quais têm maior percentagem de erro quando comparados com passes mais curtos, para a zona mais nevrálgica do terreno? Para piorar este cenário os eventuais recetores da bola, no modelo de Rui Vitória, encontram-se invariavelmente em desvantagem numérica e bem marcados. Os defesas adoram este modelo de jogo, já que facilita o jogo defensivo e agradecem.

Ao contrário dos puristas, não considero que o jogo exterior, só por si, seja mau. Se eu tiver dois Davids Beckham na equipa a bombear bolas para dois Mários Jardel, e dois Franks Lampard na boca da área para receber a dita segunda bola, é capaz de não ter de me preocupar muito com o jogo interior, o problema é que o Benfica, nem nenhuma equipa no mundo, dispõe de este tipo de jogadores. Mesmo no mundo real continuo a considerar que é possível ser-se adepto do jogo exterior (ainda assim prefiro mil vezes o jogo interior), mas isso obrigaria à construção de um modelo que garanta uma maior presença na área adversária aquando do bombear de bolas e ter jogadores aptos a jogar neste esquema. Não é preciso ser um génio para perceber isso, basta olhar para a matemática e para a lei das probabilidades, ciências que recusam o êxito de um modelo que se traduz em passar a bola, a uma distância de 25 metros, para a cabecinha ou pé de um colega que se encontra em inferioridade numérica e enfrenta uma defesa minimamente rotinada para tirar espaço.

É  quase como um predador desejar engatar uma miúda e ter um “Date Doctor” (a fazer lembrar Will Smith no Hitch) que lhe diz que a melhor forma de “faturar” não é apanhar o caminho mais perto para a discoteca, mas contornar as redondezas e atirar umas cartas de amor pelo ar na vã esperança que o vento leve uma delas ao destino certo e alguém as leia e fique convencida. Nessa noite, para levar alguém para casa, o predador precisaria de muita sorte e os jogadores no modelo do Rui Vitória dependem igualmente dela.

Agora para os adoradores cegos e para os autores do Lateral Esquerdo, Posse de Bola e Domínio Táctico (que já tinham saudades  minhas):

Talvez Rui Vitória seja um dos profetas da nova escola, advogando que a mente e a decisão são o expoente máximo do futebol. Os requisitos físicos seriam relegados para segundo plano (eu considero que físico e mente são indissociáveis e fundamentais). Por outras palavras, quiçá considere que o futebol está mais próximo do xadrez do que outro desporto qualquer (não obstante ser raro ver um jogador com mais de 35 anos produzir o que produziu no passado, mesmo tendo mais experiência, o que lhe dá vantagem frente aos mais jovens) e isso o induza a considerar que o treino talvez seja o menos importante (tal como já afirmou) porque o que importa principalmente é a mente e esta treina-se com discursos, bonecada e palavreado (o que não é verdade, porque mesmo os aspetos decisórios são desenvolvidos nos treinos e com a bola nos pés). A ser verdade talvez fosse útil questionar a razão do seu antecessor, o mais titulado da história do Benfica, revelar uma predileção por jogadores altos (característica física) e não abdicar de Slimani (bastante inferior ao nível da decisão que Montero).

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