Soltas

by Alexander Sweden

Ao longo da minha ausência tenho lido tanta barbaridade, tanta teoria que pode levar o futuro dos jovens treinadores para o caixote do lixo, que cumpre-me aqui deixar alguns desabafos:

Desabafo n.º 1:

Leio aqui que Mourinho utiliza tecnologia de ponta na preparação física dos seus jogadores. Mas espera aí, os jogadores não são praticamente todos iguais no que à capacidade física diz respeito (são profissionais, logo seres perfeitos)?  Mas então a capacidade física não é algo somenos? Não é a tomada de decisão, o alfa e o ómega do futebol e todo o resto é levado ao melhor estilo soldadinho de chumbo? Será que o Mourinho está louco e o pessoal que treina no futebol amador e na distrital é que a sabe toda? Porque será que de uma forma em geral quando os jogadores chegam aos trinta e poucos anos ficam a anos luz do que já produziram? Não terão evoluído na tomada de decisão e evoluído na compreensão do jogo ao longo dos anos, e como isso é a Teoria de Tudo futebolístico, o ex libris, não fará sentido que jogassem até mais tarde sem afetar tanto a sua performance? 

Desabafo n.º 2:

Vamos endeusar o Cha cha cha pelo jogo que fez contra o Bayern (ao melhor estilo do “nós bem avisámos que é fabuloso”), mas as exibições de Herrera e Quaresma abafamos porque destroem certas teorias que defendemos contra tudo e todos, até porque não acreditamos na evolução de um jogador. Se dizemos que ele não serve (porque não preenche a 100% o que queremos), nunca servirá (mas o Postiga e o Ola John já servem).

O avançado colombiano tem demonstrado ser um excelente jogador, mas falta o teste de algodão: precisa de jogar num grande campeonato. Tal como a um jovem jogador, não basta ser fora de série no futebol júnior tem que prová-lo a nível profissional, também um jogador, que é um fora de série nos campeonatos inferiores, tem que prová-lo em campeonatos de primeira água. Até lá merece louvor, mas é perigoso endeusar como se fosse a última coca-cola do deserto. Eu compreendo que quem anda a treinar jogadores acabados de vir da jornada laboral ou de meninos que não têm queda para a coisa fique facilmente maravilhado (quando lhe convém) com uma lufada de ar fresco, mas convém ir com calma. O avançado é muito bom neste contexto, mas há sempre riscos perante contextos mais exigentes. Aguardemos.    

Desabafo n.º 3:

Leio louvores ao Pizzi como se fosse o melhor n.º 8 deste planeta. O curioso é verificar que o “ai nos acuda” patético (ver aqui uma sensata opinião sobre a saída do argentino) que a saída destrutiva e irreversível de Enzo traria para o clube encarnado (mas só para quem não percebe o que é o futebol profissional), depressa caiu no esquecimento. Vivemos numa época ao melhor estilo da casa dos segredos. Tudo é efémero, tudo é fútil, nada é para ser levado demasiado a sério. Continuemos a assobiar para o ar por mais tiros ao lado que sejam dados. 

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