La Stratégie

by Alexander Sweden

Month: Abril, 2015

Porto vs Bayern

O Porto, nesta Liga dos Campeões, defrontou as seguintes equipas:

– Shakhtar Donetsk

– Athletic

– BATE

– Basileia

– Bayern

Fazendo uma análise objetiva, nenhuma das primeiras quatro equipas está associada à primeira divisão europeia; se tivessem competido na atual edição da Liga Europa seria perfeitamente natural.

Deste modo, e sendo sérios, nunca podemos afirmar que o Porto, no que respeita às primeiras quatro equipas, tenha chegado verdadeiramente a competir, em termos de valia do opositor, ao nível da Liga dos Campeões.

Nos quartos-de-final, quando se pensaria que chegada era a hora do grande teste, do verdadeiro palco de Champions, eis que um conjunto de circunstâncias (que fazem parte do futebol) ajudaram em muito, pelo menos na teoria, na obtenção de um bom resultado na primeira mão, permitindo concluir que o Porto, este ano, ainda não jogou dentro dos mais altos padrões a que a Liga dos Campeões já nos habituou nesta fase.

Mas o Porto ou o Lopetegui têm culpa disso? Naturalmente que não. Até onde podiam demonstrar competência, fizeram-no. Objetivo cumprido. No entanto, nada ainda de extraordinário foi feito, não se compreendendo o excesso de entusiasmo e tanta sobrevalorização da equipa e dos jogadores por parte da imprensa e blogosfera.

No entanto, todo este trajeto foi importante para retirar algumas verdades. O Paulo Sousa ainda não é o treinador que alguns quiseram fazer parecer que era e que o Guardiola, tal como qualquer ser humano, é uma pessoa cheia de falhas, equívocos, insucessos e, portanto, ainda não subiu à categoria de semideus (tal como nenhum treinador o conseguiu). Mais importante que ser polido e um verdadeiro gentleman, que quando tudo corre perfeito se torna demasiado fácil, difícil é, e revelador da verdadeira natureza por detrás do esmalte, manter a mesma postura quando as coisas começam a correr mal (Vid. as declarações deselegantes do espanhol sobre as supostas infiltrações do Jackson Martínez).

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Soltas

Ao longo da minha ausência tenho lido tanta barbaridade, tanta teoria que pode levar o futuro dos jovens treinadores para o caixote do lixo, que cumpre-me aqui deixar alguns desabafos:

Desabafo n.º 1:

Leio aqui que Mourinho utiliza tecnologia de ponta na preparação física dos seus jogadores. Mas espera aí, os jogadores não são praticamente todos iguais no que à capacidade física diz respeito (são profissionais, logo seres perfeitos)?  Mas então a capacidade física não é algo somenos? Não é a tomada de decisão, o alfa e o ómega do futebol e todo o resto é levado ao melhor estilo soldadinho de chumbo? Será que o Mourinho está louco e o pessoal que treina no futebol amador e na distrital é que a sabe toda? Porque será que de uma forma em geral quando os jogadores chegam aos trinta e poucos anos ficam a anos luz do que já produziram? Não terão evoluído na tomada de decisão e evoluído na compreensão do jogo ao longo dos anos, e como isso é a Teoria de Tudo futebolístico, o ex libris, não fará sentido que jogassem até mais tarde sem afetar tanto a sua performance? 

Desabafo n.º 2:

Vamos endeusar o Cha cha cha pelo jogo que fez contra o Bayern (ao melhor estilo do “nós bem avisámos que é fabuloso”), mas as exibições de Herrera e Quaresma abafamos porque destroem certas teorias que defendemos contra tudo e todos, até porque não acreditamos na evolução de um jogador. Se dizemos que ele não serve (porque não preenche a 100% o que queremos), nunca servirá (mas o Postiga e o Ola John já servem).

O avançado colombiano tem demonstrado ser um excelente jogador, mas falta o teste de algodão: precisa de jogar num grande campeonato. Tal como a um jovem jogador, não basta ser fora de série no futebol júnior tem que prová-lo a nível profissional, também um jogador, que é um fora de série nos campeonatos inferiores, tem que prová-lo em campeonatos de primeira água. Até lá merece louvor, mas é perigoso endeusar como se fosse a última coca-cola do deserto. Eu compreendo que quem anda a treinar jogadores acabados de vir da jornada laboral ou de meninos que não têm queda para a coisa fique facilmente maravilhado (quando lhe convém) com uma lufada de ar fresco, mas convém ir com calma. O avançado é muito bom neste contexto, mas há sempre riscos perante contextos mais exigentes. Aguardemos.    

Desabafo n.º 3:

Leio louvores ao Pizzi como se fosse o melhor n.º 8 deste planeta. O curioso é verificar que o “ai nos acuda” patético (ver aqui uma sensata opinião sobre a saída do argentino) que a saída destrutiva e irreversível de Enzo traria para o clube encarnado (mas só para quem não percebe o que é o futebol profissional), depressa caiu no esquecimento. Vivemos numa época ao melhor estilo da casa dos segredos. Tudo é efémero, tudo é fútil, nada é para ser levado demasiado a sério. Continuemos a assobiar para o ar por mais tiros ao lado que sejam dados. 

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