Assistir ou finalizar?

by Alexander Sweden

ImpeccableIndolentFlatcoatretriever

 

Perante a tentação em definir a priori qual a melhor decisão a adotar em determinado lance por parte de um jogador específico, a decisão de Reus deixa-nos de calças na mão.  Quem imaginaria um lance destes? Quem afirmaria antecipadamente que esta seria a melhor solução?

Ainda assim importa colocar algumas questões:

Terá sido esta a melhor decisão possível?

Tendo em conta a taxa de contribuição para o sucesso da equipa que o passe a rasgar proporcionou e a real possibilidade da decisão preconizada pelo jogador alemão ser executada com êxito (seria diferente se fosse o André Martins a tentar executar, mesmo que tivesse pensado da mesma forma) e tendo em conta as características e o posicionamento do colega que iria receber a bola e o posicionamento dos opositores e suas características arrisco-me a dizer que sim que foi a melhor decisão possível, supostamente.

Mas vamos imaginar, tendo em conta o adiantamento do guarda-redes contrário, que existia um jogador exímio a humilhar a equipa adversária marcando regularmente golos a 40 metros de distância aproveitando o mínimo adiantamento do guardião contrário (a fazer lembra Hagi no mundial de 1994) e que esse jogador era o Reus. Teria sido a melhor decisão passar a bola tal como realmente aconteceu (a jogada ficou dependente da intervenção de mais um jogador com todas as vicissitudes que isso pode trazer em termos de tomada decisão e da conclusão da jogada com êxito) ou mandar um charuto para dentro da baliza e resolver desde logo o problema?

Em ambos os lances (passar a bola ou mandar um charuto para dentro da baliza) há risco do executante falhar, mas enquanto no primeiro lance há dois intervenientes em jogo (o que envia a bola e o recebe aquele passe maravilhoso) o que faz juntar outras variáveis às possibilidades de sucesso, porque é diferente haver um interveniente do que dois intervenientes (matematicamente quantas mais vezes a bola andar a circular entre jogadores maiores probabilidades há de algo falhar), no segundo lance há apenas um interveniente. Se as possibilidades de execução fossem iguais, a matemática mandava o Reus marcar golo em vez de assistir.

 

 

 

 

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