La Stratégie

by Alexander Sweden

Month: Fevereiro, 2015

Tenho o conhecimento por isso posso ser pulha?

“Na primeira parte perdemos 45 minutos. Equivoquei-me na escolha do onze”

Palavras de Simeone após a derrota de Vigo (in A Bola online).

A importância destas palavras vão muito para além de um mero autorreconhecimento das suas  limitações enquanto treinador de futebol, antes obriga a pensar o que torna este indivíduo em um dos melhores técnicos do futebol mundial.

No meu dia-a-dia constato demasiados treinadores obcecados em centrarem todos os seus esforços no conhecimento empírico da ciência futebolista, na metodologia de treino, na análise exaustiva de determinadas jogadas, no desvio para lá do racional na tomada de decisão como se esta fosse o alfa e o ómega do futebol (realidade mais vigente em alguns técnicos do futebol sénior amador e de formação), mas demasiado despreocupados com outras competências, porventura excessivamente importantes para serem frequentemente esquecidas.

O que faz de Simeone aquilo que ele é hoje? Um conhecedor da ciência futebolística, um obcecado pela decisão, pelo fixa e passa (que normalmente deslumbra os treinadores habituados a treinar num contexto de futebol mais atabalhoado, usual nas divisões inferiores) ou por um futebol de levar a bola em detrimento do soltar rápido (o que fomenta o reposicionamento da equipa adversária e maximiza as possibilidades do adversário cair em fora de jogo, fator menos importante em campeonatos ajuizados por árbitros de divisões inferiores ou quando protagonizados por jogadores que não têm tempo para treinar os processos defensivos porque as profissões principais a que se dedicam roubam demasiado tempo)? Ou será antes a forma como lidera, como motiva, como se transforma num sábio condutor de homens, não só pelo que sabe, mas principalmente pelo modo como se comporta com os seus semelhantes?

Infelizmente este aspeto tem sido demasiadas vezes esquecido pelas faculdades ou nos estágios, na blogosfera ou na imprensa dita especializada. A realidade, no entanto, demonstra-nos que não basta o conhecimento teórico e prático, ainda que rudimentar em muitos aspetos, se depois, quem o ministra, não assume uma postura condigna, moral e vertical perante todos aqueles com quem o partilha. O jogador dos dias de hoje rapidamente percebe o tipo de líder com quem trabalha frequentemente, e para que o leve a sério importa que o veja como alguém por quem faça sentido dar tudo em campo debaixo de uma fidelidade quase canina.

Indubitavelmente este é um dos truques de Mourinho (mas quando falhou em Madrid isso foi-lhe fatal), e seguramente também o de Simeone. Não basta ter conhecimento, importa que ele seja tido em conta pelos seus destinatários, e tanto mais será quanto mais o emissor da mensagem seja digno de credibilidade. Se se comporta com um rato do cano perante o mundo que o cerca, é natural que tudo o que possa emanar de tal estirpe seja facilmente equacionado e tido em causa.

1

 

Anúncios

Assistir ou finalizar?

ImpeccableIndolentFlatcoatretriever

 

Perante a tentação em definir a priori qual a melhor decisão a adotar em determinado lance por parte de um jogador específico, a decisão de Reus deixa-nos de calças na mão.  Quem imaginaria um lance destes? Quem afirmaria antecipadamente que esta seria a melhor solução?

Ainda assim importa colocar algumas questões:

Terá sido esta a melhor decisão possível?

Tendo em conta a taxa de contribuição para o sucesso da equipa que o passe a rasgar proporcionou e a real possibilidade da decisão preconizada pelo jogador alemão ser executada com êxito (seria diferente se fosse o André Martins a tentar executar, mesmo que tivesse pensado da mesma forma) e tendo em conta as características e o posicionamento do colega que iria receber a bola e o posicionamento dos opositores e suas características arrisco-me a dizer que sim que foi a melhor decisão possível, supostamente.

Mas vamos imaginar, tendo em conta o adiantamento do guarda-redes contrário, que existia um jogador exímio a humilhar a equipa adversária marcando regularmente golos a 40 metros de distância aproveitando o mínimo adiantamento do guardião contrário (a fazer lembra Hagi no mundial de 1994) e que esse jogador era o Reus. Teria sido a melhor decisão passar a bola tal como realmente aconteceu (a jogada ficou dependente da intervenção de mais um jogador com todas as vicissitudes que isso pode trazer em termos de tomada decisão e da conclusão da jogada com êxito) ou mandar um charuto para dentro da baliza e resolver desde logo o problema?

Em ambos os lances (passar a bola ou mandar um charuto para dentro da baliza) há risco do executante falhar, mas enquanto no primeiro lance há dois intervenientes em jogo (o que envia a bola e o recebe aquele passe maravilhoso) o que faz juntar outras variáveis às possibilidades de sucesso, porque é diferente haver um interveniente do que dois intervenientes (matematicamente quantas mais vezes a bola andar a circular entre jogadores maiores probabilidades há de algo falhar), no segundo lance há apenas um interveniente. Se as possibilidades de execução fossem iguais, a matemática mandava o Reus marcar golo em vez de assistir.

 

 

 

 

As teorias que valem lixo?

Palavas sábias de Benzema:

«Valorizo as críticas quando são feitas por alguém que jogou ao mais alto nível, se vêm de alguém que não jogou futebol não as levo a sério. A única coisa que importa são os golos.»

 (in A Bola online)

Depois de tanta caganeira intelectual que tenho observado ao longo dos últimos meses  em dois ou três blogs, cujos princípios mandavam um treinador para o esgoto em três tempos, é interessante analisar as palavras de Benzema e constatar como elas vêm ao encontro daquilo que é defendido neste blog. Felizmente o francês já percebeu que o futebol profissional não é poesia nem xadrez. É claro como água que um ponta de lança vive dos golos. Tal como referi em momento oportuno (ver aqui): “Porque é impossível que um avançado, face à posição que ocupa no terreno, esteja maioritariamente perante situações em que a melhor decisão é passar a bola em fez de fulminar. Se não fulmina, significa que em muitos lances não é competente porque aborda mal a bola (decisão com bola) ou porque simplesmente não está lá (decisão sem bola). Aquilo que dá ao jogo coletivo dificilmente compensa aquilo que tira à equipa em termos de jogo individual”.

Esta linha de pensamento (vigente no futebol profissional, mas menosprezado em alguma da suposta blogosfera especializada) significa que as assistências fantásticas executadas por parte dos avançados centro não são importantes? Claro que são importantes, mas tal como um agente policial que ajuda velhinhas a  atravessar a estrada não se exime de continuar a proteger os cidadãos, também o ponta de lança não pode deixar sequer de ficar obcecado em marcar golos só porque tem muitas assistências. Se um polícia ajudar muitas velhinhas a atravessar a estrada será que isso lhe dá crédito para que quando presencie um assalto possa ir fumar um cigarro e assobiar para o ar? Basicamente é o que certos paladinos de teorias bonitas, mas que não servem os interesses do futebol de milhões, defendem.

1

Futebol versus Xadrez

Opinião do leitor “boemio desnatado” sobre Cuadrado:

“Quanto ao cuadrado, duvido que tenha sucesso no chelsea. pode vir a ser um jogador útil nalguns momentos da época, por ser fisicamente potente e tecnicamente razoável. a tal tomada de decisão, em que ele é manifestamente fraco, nunca o deixará ser um jogador de topo. aliás, nunca compreendi bem o ‘hype’ à sua volta. no mundial, por exemplo, foi eclipsado na sua equipa por james, claramente mais evoluído no aspecto da decisão.”

Opinião de José Mourinho (in a bola online) sobre Cuadrado:

“Não penso ser a melhor coisa para ele falar sobre expectativas. Precisa de tempo. Não foi uma compra de urgência, antes a resposta à saída do Schurrle. É um jogador que conheço há muito tempo, disputei a Liga dele [Serie A] duas épocas e via-o semana após semana”.

É com naturalidade que denoto grandes diferenças no discurso entre aqueles que gostam e opinam legitimamente sobre futebol e os grandes treinadores do futebol profissional. E tanto mais natural será quanto mais optarem por beberem de fontes de águas turvas. Quando a doutrina está errada, todas as avaliações e opiniões nela sustentadas serão igualmente equívocas. Isto significará que o José Mourinho tem sempre razão? Claro que não, ninguém é infalível, mas uns erram menos dos que os outros e pelo que já conquistou merece, e é sensato, que as suas opiniões sejam mais tidas em conta em vez da negação pura e absoluta só porque gostaríamos que  o futebol fosse aquilo que não é, um jogo de xadrez.  

1

 

 

 

Porque razão Riquelme nunca singrou verdadeiramente na nata do futebol?

A resposta é simples e é dada aqui:

“Correr, corre cualquiera, pero jugar al fútbol es más complicado. Hoy una persona se pone a entrenar todos los días y corre los 42 kilómetros como los que se hicieron el otro día. A veces escucho en la tribuna ‘¡Corré más!’ y yo pienso que eso lo hace cualquiera”, le respondió a aquellos que le exigen más sacrificio en la cancha. “La gente me da demasiado. Yo soñaba de chiquito, como seguro soñaban ellos, con jugar un partido en La Bombonera, que es la cancha más linda de todas”.

Não obstante ter sido um dos jogadores mais talentosos dos últimos 30 anos, Riquelme com este tipo de mentalidade só poderia ter passado ao lado de uma grande carreira na Europa. Não me custa acreditar que o corpo técnico do Barcelona tenha detetado ab initio esta matriz de pensamento, concluindo que não serviria os interesses de um clube que tem sempre como objetivo ganhar tudo. É no entanto curioso que ninguém tenha conseguido convencer o jogador que o futebol não exige correr por correr, porque não é o aspeto quantitativo (correr muitos kms só porque sim) o determinante , mas sim  o aspeto qualitativo (correr quando se deve correr, parar quando se deve parar e muito importante, a capacidade de explosão – algo que se trabalha permanentemente – que sempre ajudou  Ronaldo, Messi e Bale a manterem-se no topo do futebol e a fazer a diferença).

Mas o que me preocupa é que continue a haver no futebol de formação quem concorde com as palavras bárbaras proferidas pelo génio jogador. Preocupa-me que os nossos filhos lidem diariamente com treinadores que advoguem este tipo de mentalidade, pegando em carreiras promissoras e mandando-as para o lixo em nome de uma vaidade intelectual equivocada de chinelo no pé!

Outra das minhas preocupações diz respeito aos jovens, que com ambição natural saem das universidades cheios de sonhos legítimos, ainda que órfãos de um tratamento de choque para se coadunarem ao futebol profissional,  mas cujo impacto muitos teimam  em recusar porque é mais fácil deixarem-se ludibriar pela falsa doutrina, ainda que o preço a pagar por esta insensata escolha seja o risco de fazer toda uma carreira no futebol distrital ou ao fim de 15/20 anos ainda se encontrarem a treinar os benjamins (quando ambicionavam muito mais do que isso). Atenção aos que não evoluem nem deixam os outros evoluir!

1

 

 

 

 

La Stratégie

by Alexander Sweden

Zés e Pelés

by Alexander Sweden

Futebol Táctico

by Alexander Sweden

Domínio Táctico

by Alexander Sweden

Leoninamente!!!...

by Alexander Sweden

Gordo, vai à baliza!

by Alexander Sweden

LeaodePlastico

by Alexander Sweden

Visão de Mercado

by Alexander Sweden

LATERAL ESQUERDO

by Alexander Sweden

A Tasca do Cherba

by Alexander Sweden