Marcação à zona versus marcação homem a homem

by Alexander Sweden

Recordam-se as recentes palavras de Ancelotti, no contexto do próximo clássico do país vizinho: «teremos o mesmo plano de sempre, não dar espaços ao adversário. Por isso, não faz sentido fazer marcação homem a homem, mas sim colocar linhas para não haver espaço». Urge assim discriminar o conceito de marcação à zona da marcação homem a homem.

A primeira é mais exigente intelectualmente porque responsabiliza o atleta a cobrir determinado espaço imaginário no retângulo de jogo nas mais distintas fases de jogo. Obriga a que o jogador saiba ler o jogo, conhecendo em cada momento as respetivas zonas a cobrir. É portanto uma estratégia expectante e mais solidária: o “defesa” limita-se a ocupar o espaço e a estar atento à invasão alheia porque sabe que o seu companheiro cobrirá a zona contígua. O perigo desta estratégia passa pelo erro de interpretação sobre qual a zona a cobrir em cada instante. Errando, a zona aparece descoberta e com ela uma auto estrada pronta a ser utilizada.

A marcação homem a homem é mais simples e rudimentar, basta perseguir determinando oponente sempre que este cai na sua zona de ação (zona pré-determinada pelo treinador). É mais imediata, o defensor vai para onde o ofensor for (dentro dos limites impostos), mas em caso de falhanço provoca clareiras, desequilíbrios e adversário à solta. É portanto uma estratégia reativa. O “avançado” escolhe a direção, o “defesa” persegue-o.

Uma das vantagens da marcação à zona, não obstante a maior dificuldade em implementar, porque obriga a equipa a funcionar como um organismo vivo, que todas saibam em uníssono interpretar os momentos de jogo, é que a marcação ao portador da bola é divido por mais opositores e estes atuam numa situação mais expectante e confortável. Quando enfrentam o adversário, que cai na respetiva zona de jurisdição, não estão a correr atrás do prejuízo, mas alertas e preparados. As coordenadas espaço/tempo são mais estáveis e permitem uma melhor gestão emocional e psíquica na recuperação da bola. Por sua vez a marcação ao homem é mais stressantes e mais desgastante, obrigando a um movimento constante do recuperador da bola, e portanto a uma maior descoordenação espaço/tempo, o que potencia o erro na tentativa de “roubar” a bola. Por ser reativa, quando a reação não se dá atempadamente falha-se e deixa-se o adversário à solta. Na marcação à zona, quando se erra, o adversário surge sem qualquer cobertura o que é potencialmente mais perigoso que na primeira situação. É diferente estar em posição de vantagem depois de ultrapassar o marcador direto, muitas vezes já em desequilíbrio e desenquadrado, de que simplesmente iniciar o lance sem oposição. A marcação à zona, no entanto, quando  bem interpretada é mais eficiente e menos desgastante.

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