Intensidade

by Alexander Sweden

Muito se fala hoje em dia de intensidade por esses programas fora, mas nunca ouvi qualquer alminha explicar o significado. Cheira-me que é utilizada para preencher espaços em branco, para adjetivar algo que não sabemos muito bem o que é, mas que nos faz ficar bem na fotografia. Se queremos elogiar um jogador, que não se destaca especialmente pelos aspetos técnicos, e não percebemos muita da poda, dizemos que ele é intenso. Vamos então definir o que significa realmente o vocábulo “intensidade”.

Para os mais incautos poderá significar correr muito, fazer piques só porque sim, estar em constante movimento, tipo bicho-carpinteiro. Neste caso intensidade será um defeito. Ir atrás da bola como um rottweiler atrás de um bife do lombo pode provocar desequilíbrios na equipa e deixar de estar onde supostamente se deveria estar (Rinaudo pecava exatamente por isto. Nesta perspetiva tinha mais intensidade que Fernando Redondo, mas eu continuo a preferir Redondo).

Para outros poderá significar a forma destemida como um jogador disputa cada lance, cada bola dividida. Pode ser uma boa qualidade desde que o jogador, dentro dessa “intensidade”, modere a forma como “luta” pela bola, caso contrário poderá tornar-se contraproducente. É preferível ter um jogador 90 minutos em campo que seja mais moderado que um que joga com uma faca nos dentes mas que só permanece 60 minutos em campo porque é expulso. Maxi e João Pereira parecem-me nitidamente jogadores com este tipo de intensidade, o que não significa que esta característica seja uma imensa mais-valia quando comparado com outros jogadores que jogaram na mesma posição e que eram menos intensos (como por exemplo, Thuram, Jorginho ou Cafu). Normalmente atletas com menos técnica em termos de drible, passe, receção, remate, optam por este caminho, talvez porque é a forma mais viável de alcançarem a titularidade. Respeito este tipo de jogadores, dão élan às equipas que representam, mas não acho que estas características tragam só por si grandes benefícios para a equipa.

Na minha opinião, intensidade não significa o que foi referido nos dois parágrafos antecedentes, antes a forma eficiente como um jogador ocupa exatamente o espaço que deve ocupar nas distintas fases de jogo, principalmente quando não tem a bola (no momento ofensivo ou defensivo). Um avançado é intenso se procurar espaços que lhe permitam receber a bola em melhores condições (Diego Costa é excelente neste aspeto). Um n.º 8 será intenso se conseguir recuperar a tempo de ocupar a zona de cobertura que lhe compete no momento defensivo (em alguns esquemas táticos o n.º 8 deve dar apoio à zona entre o lateral e o central. Se for intenso fará essa cobertura devidamente a tempo e a horas. Se não for intenso não estará onde é preciso e de pouco lhe valerá correr o jogo todo). Quando falamos de intensidade falamos acima de tudo de um aspeto qualitativo (estar no local certo à hora certa) em detrimento do aspeto quantitativo (correr muito, fazer muitos sprints, disputar muitos lances no chão, fazer muitas faltas). Não obstante o aspeto qualitativo, a intensidade, na perspetiva em que ela deve ser entendida, para ser cumprida exige bons índices físicos como poder de arranque, velocidade, força e resistência.

Neste vídeo (principalmente a partir do 4:08) é possível desfrutar da intensidade de Diego Costa (Chelsea versus Arsenal).

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