La Stratégie

by Alexander Sweden

Month: Outubro, 2014

A decisão

Muito se tem falado da decisão, da boa decisão, da melhor decisão, mas poucos se atrevem em defini-la. Sendo um dos objetivos deste blog partilhar, com todos os que aqui gostam de vir, alguns conhecimentos, cumpre-me dissecar o conceito. A boa decisão é aquela que permite atingir o sucesso da equipa. O que é o sucesso da equipa? Ganhar ao seu oponente. E ganha-se através da simbiose marcar golos/não sofrer golos. Não implica necessariamente ganhar jogando melhor em termos exibicionais ou estatísticos. Quem lida diariamente com a pressão diabólica dos media, dos adeptos, dos sócios, das estruturas diretivas, não se pode dar ao luxo de ser lírico, tem que estar vocacionado para os resultados, porque são estes que dão currículo, que permitem a obtenção de títulos, que permitem atingir os resultados previamente determinados. Dir-me-ão, que o ideal será ganhar dando espetáculo. Concordo. Não sendo possível, o fundamental é ganhar. Minimizar as possibilidades de ganhar em detrimento do espetáculo é perder objetividade, é assumir-se como lírico. Os treinadores de clubes profissionais vêem-se obrigados a serem em primeira instância objetivos, porque os clubes funcionam como empresas, não são meras mesas de tertúlia onde se pode dar plenamente asas à imaginação. Nas grandes multinacionais, tal como nas equipas profissionais de futebol, não há grande espaço para tomar grandes riscos, para perder o foco, pois a eficiência está por todo o lado, ouvem-se os seus passos permanentemente e cumpre a um treinador zelar por ela. É-se pago a peso de ouro por isso, e é perante aquela que o seu trabalho será em primeiro lugar avaliado. Quem só escreve em blogs, ou trabalha no futebol amador, pode vaguear, pode ser idealista, todos os outros, não se podem dar a esse luxo.

Por outras palavras, a boa decisão, será aquela que não só permite atingir o sucesso, como atingi-lo da forma mais rápida possível.

Existe a boa decisão com bola e sem bola. Neste post só me irei ocupar da decisão com bola e significa que aquele que tem o esférico deve adotar a melhor opção perante as milhares de que dispõe. Como o jogador não sabe de antemão o futuro (antes de executar o que idealizou), ou seja, nunca tem a certeza se o que idealizou vai ser realmente concretizado, deve ter em mente o critério da probabilidade. Daí optar pelo termo “suposta melhor decisão” ou “suposta boa decisão”, porque o que se idealizou pode ser bom mas depois de concretizado, porque se falhou, vem a revelar-se terrível . Perante as várias boas decisões que são idealmente possíveis de executar por parte do possuidor da bola, que tem determinadas capacidades técnicas e físicas, quais aquelas que são as mais prováveis de serem realmente bem executadas?

Para que esta probabilidade possa ser aferida, o possuidor da bola deve ter uma completa noção das suas capacidades, das capacidades dos seus colegas e da capacidade dos seus oponentes. Quando se prepara o jogo é importante manifestar a cada um dos nossos jogadores, a capacidade nos diferentes parâmetros dos principais adversários com os quais se vai deparar. Cada jogador deve ter noção da exata probabilidade de sucesso daquilo que pretende executar e só o consegue:

–  Conhecendo-se a sim mesmo, ou seja,  ter a perfeita noção daquilo que consegue ou não executar em cada contexto de jogo;

– Conhecer o seu companheiro de equipa, nomeadamente quando se trata do capítulo do passe. Por ex. Poderá ser um erro colocar a bola no espaço para um colega que é lento;

–  Conhecer o seu opositor, ou seja, ter a perfeita noção daquilo que este consegue ou não executar em cada contexto de jogo.

No entanto para graduar a decisão, importa também ter em mente, a contribuição que esse lance terá para o sucesso da equipa (marcar ou evitar um golo). A decisão tanto melhor será quanto mais contribua para o sucesso da equipa.

Criei um cálculo que permite graduar a decisão e que se explica através da seguinte fórmula (fácil de colocar no papel mas difícil de determinar em cada lance específico):

Probabilidade de execução bem-sucedida (de 0 a 10) X Taxa de contribuição para o sucesso (de 0 a 10)

O melhor resultado final será o 100 (10X10). O 100 significa a certeza absoluta que a execução pensada será bem sucedida e que a mesma contribui totalmente para o sucesso (por ex., marcar um golo com um pequeno toque quando a bola já está  99% dentro da baliza adversária e não há qualquer oposição). Quanto maior é o algarismo (onde 0 é o valor mínimo e 100 o valor máximo) melhor será a decisão.

Importa então explicar melhor os dois elementos da fórmula:

A probabilidade de execução bem-sucedida pode ser medida numa escala de 0 a 10. 10 é a absoluta certeza que o que pensamos  vai ser executado na sua plenitude. 0 é a certeza absoluta que não vamos conseguir executar o que pensámos.  Quanto mais engenhosa é a execução, quanto mais exigente é técnica e fisicamente, menor será a probabilidade da execução ser bem-sucedida. Aqui entramos num conceito subjetivo porque a maior ou menor exigência técnica depende de cada executante (do que tem a bola e do que a recebe nos lances em que se pretende comunicar com o colega da equipa). Maradona fazia coisas que para ele eram simples, onde a probabilidade de executar conforme idealizado era enorme mas que para o Fernando Aguiar seriam praticamente impossíveis de realizar. A oposição do adversário é também tomada em conta neste parâmetro. Quanto maior e melhor oposição houver num lance específico menor será a probabilidade de execução ser bem-sucedida. Estamos perante outro conceito subjetivo, porque é diferente tentar um drible contra um jogador amador do que contra o Varane. Assim como é diferente ter um opositor do que ter dois ou três.

A taxa de contribuição para o sucesso pode ser medida numa escala de 0 a 10 e está relacionada com a influência que o lance em que o portador da bola está a pensar em executar tem para o sucesso, ou seja, para que a minha equipa marque um golo ou deixe de o sofrer. Um passe lateral no meio campo defensivo terá menor taxa de contribuição para o sucesso que um passe lateral para um colega isolado em plena área contrária. 10 significa que o lance a executar é determinante para o sucesso (por ex. um corte defensivo em cima da linha, um remate à baliza). 0 significa que o lance a executar é totalmente irrelevante para o sucesso da equipa.

Ainda falta um terceiro elemento na fórmula para nos aferir um valor mais consentâneo com a realidade, mas que será tratado num próximo post.

O Engomadinho, o Espalha-brasas, o Que Não Vale Nada e o Puto Cheio de Tesão

Sempre que lido com um jogador pela primeira vez tenho a tendência natural em catalogá-lo ab initio. Não penso que seja um equívoco, desde que depois tenha a flexibilidade de admitir o erro de uma análise mal fundamentada e tratar de inseri-lo na classe correta.

Para ser mais explícito tratarei de explicar o que significa cada uma das categorias de jogadores. Outras existem mas não quero ser demasiado exaustivo. E há também as chamadas zonas cinzentas. Jogadores que não podem ser catalogados numa única categoria porque preenchem elementos caracterizadores de várias. Para aqueles que levam a vida demasiado a sério e pensam que os profissionais não usam expressões coloquiais receio que não apreciem o tom.

O Engomadinho – Trata-se do jogador que usa o cérebro em prol do físico e da técnica. O que decide normalmente bem, que adota invariavelmente as supostas melhores decisões. O porto de abrigo da equipa. No fundo, o Xabi Alonso que qualquer treinador gostaria de ter na sua equipa. São normalmente fáceis de identificar, normalmente têm uma personalidade mais contida, falam para o balneário de uma forma ponderada, sensata e transportam esse modus operandi para o retângulo de jogo. Primeiro pensam, e depois agem. Não tem tesão, mas não precisam, são falinhas mansas. O seu jogo de sedução no retângulo de jogo é outro. Estão num outro paradigma. No Sporting começa a surgir o Adrien Silva (após a reciclagem operada por Marco Silva), o João Mário e o William Carvalho. No Benfica nitidamente o Luisão ou o Enzo Peres. No Porto, ainda não é consensual. Este ano o elemento com estas características ainda não deitou a cabecinha de fora. Rúben Neves, quiçá, mas importa dar tempo ao tempo.

O Espalha-brasas – É o jogador que encanta as plateias, é dotado tecnicamente, sustentado por grandes índices físicos em determinados parâmetros (seja nos gestos contra natura, na velocidade, no pique, na impulsão). Pode nem sempre decidir bem (quando o faz habitualmente passa a ser um grande jogador), por vezes adota soluções supostamente estúpidas que muitas vezes dão resultado e quando assim é são jogadores imensamente úteis. Perante este tipo de jogadores, vale a pena por vezes gritar ao longo da linha “no 1 X 2 esfrangalha os gajos”. No Sporting temos o Nani (um grande jogador porque não obstante ser um espalha-brasas é inteligente com e sem bola) e o Carrillo. No Benfica temos o Sálvio. No Porto, o Quaresma e o Tello.

O Que Não Vale Nada – Tal como o nome diz não é bom em nada. Em alguns aspetos pode ser razoavelmente bom, mas depois apresenta índices miseráveis em muitos dos outros parâmetros. Até pode ter toque de bola, fixa, prende, passa, mas fica-se por ai. Ou, no caso de ser um jogador em posições defensivas, roubar umas quantas bolas ao adversário mas a maior dificuldade é depois sair a jogar e potenciar o roubo num momento ofensivo da equipa. Por uma questão de pudor e respeito, não irei invocar nomes. O que um treinador pode fazer perante um jogador destes no seu plantel? Se for novo pode trabalhá-lo, tentar que adquira outras competências, não vá o problema ter sido no processo formativo e não propriamente no jogador. Se já não for novo, analisar o seu perfil, pode ser um elo estabilizador do balneário, mas mesmo nesta hipótese importa colocar o seu nome na lista de dispensáveis na próxima abertura de mercado. Uma equipa que joga para ganhar não pode ter elementos deste cariz. Se é importante em termos de balneário, volte quando terminar a carreira.

O Puto Cheio de Tesão – Vindo das camadas formativas, normalmente está galvanizado, cheio de tesão pela bola, para demonstrar que tem valor. Muitas vezes isso pode virar-se contra si. Se for um jogador com uma grande capacidade técnica possivelmente quererá levar a bola para casa em pleno terreno de jogo. Ai entra a capacidade pedagógica do treinador. Aproveitar a tesão, mas vocacionando-a para a evolução, para o uso do cérebro antes de ser comportar com um velho porco num colégio de virgens impolutas. Se já tiver mais vocação para pensar o jogo, recordar-lhe que Roma e Pavia não se fizeram num dia. Que em cada lance não tem de descobrir a pólvora. Que jogar simples, lateralizar o jogo, é muitas vezes a suposta melhor decisão (apesar de Freitas Lobo discordar porque é um poeta e não entende o futebol). Adoraria ter acompanhado in loco o surgimento do Toni Kross nos seus primeiros tempos de profissional. Tanta aptidão num só corpo faz confusão, onde a decisão, a capacidade técnica e física decidiram agregar-se na mesma pessoa. A tesão levou-o inicialmente a ocupar terrenos mais avançados, com a maturidade recuou, porque o tipo de boas decisões que adota são mais determinantes em terrenos mais recuados. É um jogador brilhante, mas perigoso, porque parece fácil tudo aquilo que faz, mas é tão difícil. Ele não tem o cérebro de um rapaz de 24 anos, ele transporta consigo a maturidade de um homem de 80 anos.

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O panaca e o estroina

Lendo o último post do Lateral Esquerdo (ver aqui) e respetivos comentários veio-me à ideia dois tipos de empregados habitualmente encontrados no nosso tecido empresarial, nomeadamente aqueles que ocupam os departamentos de vendas: O panaca e o estroina.

O panaca: Trata-se do individuo  que domina e entende  toda o processo de venda ao cliente. Sabe as suas motivações, compreende os seus anseios, sabe os momentos em que estes devem ser usados para potenciar a venda, sabe as palavras e os termos corretos a usar em cada momento chave da negociação, vai a todas as formações sobre novas abordagens e novas técnicas de mercado e sabe vestir a camisola desde o momento em que entra ao trabalho até ao momento em que fecha a porta do seu gabinete. No entanto, vende muito pouco. Dizem-lhe que lhe falta algo, quiçá inato, a chama, a imprevisibilidade, a tomada de decisão contra natura, algo que lhe permitiria no terreno atingir os melhores resultados. No entanto é um elemento útil, os colegas gostam dele, os clientes da empresa acham que é um tipo porreiro, que lambe bem as botas, que é sensível, educado. O chefe, não obstante os resultados atingidos, também o considera importante, sabe que pode contar com ele, que cumpre à risca todo o processo de negociação, que não chega atrasado, que cumpre as formalidades, pensa bem e decide como vem nos livros, realiza academicamente toda a abordagem comercial. Resumindo, comporta-se como um panaca. Fazem falta estes tipos de empregados nas empresas até porque servem como modelo e balizam os aspetos comportamentais a adotar no terreno e servem como fiel da balança face aos demais. Transportando esta figura para o jogo de sedução, o panaca é aquele que escuta as mulheres, ouve os seus desabafos, perde horas com elas, trata-as cordialmente, tem sempre pronto a palavra certa no momento certo e segue todas as regras de etiqueta, mas curiosamente não é ele que as leva para a cama no final da noite, porque de repente surge o estroina, o individuo, sem saber-se muito bem como, muitas vezes nem ele próprio, que trata das consolar, muitas vezes sem sequer lhes perguntar o nome.

O estroina: O estroina é portanto o terror, mas como é o individuo que suporta a empresa, porque é o que vende mais, o chefe lá o vem mantendo na equipa, não obstante as muitas vozes dissonantes entre os demais. Desde que apresente resultados, sem se saber muito bem como, os chamados tiros de sorte, não há como despedi-lo. A empresa tem lucros graças a ele.  Quando questionado, o estroina vacila, porque nem ele próprio sabe como atinge determinados resultados, e como cumpre os objetivos, nem nunca sequer pensou muito bem nisso. Não é particularmente inteligente, age por instinto, enquanto resultar, não lhe faz sentido tentar mudar. Leva a camisa amarrotada das cambalhotas da noite anterior, balda-se às formações que só interessam para preencher currículo, solta umas caralhadas com os clientes, manda os foguetes e apanha as canas, mas no final do dia olha para o ranking de vendas e vê o seu nome no topo da lista preparando-se, uma vez mais, para ganhar o prémio do empregado do mês. Nessa mesma noite, apanha a deixa do seu colega engomadinho, o ser pensante, e leva mais uma para casa depois do terreno preparado pelo panaca.  A sinergia de forças funciona uma vez mais, em prol da empresa, em prol do prazer.

A capacidade física

Após um post onde defini o que é a técnica (algo bem mais do que fintinhas), considerei importante partilhar com as centenas dos que me leem o que é afinal a capacidade física.

No contexto futebolístico, ela não terá de ser necessariamente sinónimo de força bruta, capacidade de choque com o oponente, de levar pancada e voltar a levantar-se, velocidade, capacidade de aceleração ou impulsão. Ver a capacidade física apenas por este prisma é bastante redutor, tal como é redutor analisar e valorizar um jogador apenas e tão só a partir da sua capacidade de tomar as supostas melhores decisões.

Quando se invoca que determinado jogador tem uma grande capacidade física, ou altos índices físicos, não significa que ele tenha de ter o pescoço do diâmetro de um boi, um six pack que dê para lavar a roupa, que o seu dorso seja em formato V, muito menos que tenha de se assemelhar a um lutador de Wrestling.

Um dos meus leitores confessou-me que o Cristiano Ronaldo com 17 anos era fraco fisicamente. Discordei. Nessa idade CR7 já tinha muitas horas de treino extra em cima e uma aptidão física fora do normal (em determinados parâmetros). O facto de não manifestar, na altura, um cabedal digno de respeito não significaria que não tivesse uma grande capacidade física. O avançado português (assim como atualmente Di María), manifestou desde cedo que em determinados vetores era detentor de fabulosos índices físicos, padrões que muitos atletas com 10 anos de carreira profissional não ostentam.

Passo a explicar: Ter uma boa capacidade física significa também a capacidade de distribuir a força no momento certo.

Os tipos que partem tijolos com as mãos não têm mais força que um porteiro de discoteca ou que um pugilista, no entanto, têm uma capacidade física superior nesse domínio, conseguindo concentrar o máximo de força num único gesto. A capacidade de, num gesto contra natura (como o remate de letra), aplicar no momento certo um grande índice de força. Não é pera doce, muito menos num contexto de jogo, onde tem que se agir rápido, sem tempo para grande preparação físico-mental. Esta perspetiva justificou ter escrito num post anterior que o remate trivela requer uma considerável capacidade física. O que muitos não compreenderam. Ou porque nunca jogaram futebol de 11, nunca experimentaram rematar ou centrar tenso em trivela numa conjuntura hostil (leia-se no terreno de jogo num ambiente de competição) ou porque consideram, porque não compreendiam o conceito, que a força só se manifesta quando é realizada de uma forma mais evidente, mais estridente e visual. Não é por acaso que o ballet é uma das atividades humanas mais exigentes do ponto de vista físico. Exige uma extraordinária capacidade física, quase supra-humana, no entanto quer-se que sejam leves como uma pluma a ágeis com um felino.

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Os 23

A lista dos candidatos à Bola de Ouro 2014 está concluída. Vale o que vale, mas é interessante constatar que desta lista nem todos são claramente conhecidos por tomarem a maioria das vezes a suposta melhor decisão (o que é distinto da melhor decisão como verdade universal), porque não obstante a capacidade de decidir bem ser fundamental no futebol, há um conjunto de outras características que são importantes na hora de graduar um jogador. Diego Costa faz naturalmente parte da lista. Olhando o futebol por um canudo, ficaríamos chocados, analisando o futebol como um todo, tal como vem demonstrando José Mourinho ao longo da sua carreira, só nos podemos regozijar.

Cristiano Ronaldo

Gareth Bale

Karim Benzema

Toni Kroos

Sergio Ramos

James Rodriguez

Mario Gotze

Philipp Lahm

Thomas Muller

Manuel Neuer

Bastian Schweinsteiger

Arjen Robben

Lionel Messi

Andrés Iniesta

Javier Mascherano

Neymar

Diego Costa

Thibaut Courtois

Eden Hazard

Ángel Di María

Yaya Touré

Zlatan Ibrahimovic

Paul Pogba

 

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Boa decisão contra o resto do mundo

Este post surge na sequência da análise e de várias discussões salutares na caixa de comentários do blog Lateral Esquerdo. Partilho aqui, com os meus leitores, algumas ideias essenciais que defendo, trazendo à colação a famigerada “boa decisão”.

Antes disso, aproveito para afirmar que está a nascer uma escola, entre supostos entendidos de futebol, cujo objetivo passa por colocar o item “boa decisão” no pedestal, como se tivessem descoberto a pólvora. Trata-se uma escola errada, perigosa, perversa, e que leva a erros crassos na avaliação de um jogador, permitindo, por exemplo, que se certifique que o Postiga seja colocado no céu e o Diego Costa no inferno. Quando devia ser precisamente o contrário.

Às vezes denoto o erro de muitos comentadores do referido blog ao pretenderem encaixar tudo nas devidas prateleiras, para ficarem descansados e pensarem que percebem de futebol, quando as prateleiras estão todas ligadas entre si. E depois somos obrigados a ler barbaridades que dizem que o Postiga é bom jogador ou que o André Martins é muito melhor que o Adrien Silva. Analisando apenas uma das gavetas, até pode ser, mas na comunicabilidade com as outras, qualquer um daqueles se revela ser um jogador fraco quando comparado com a nata do futebol. Analisar um jogador apenas numa determinada perspetiva leva a um erro de avaliação. Analisar um jogador e louvá-lo apenas tendo em conta a componente “ boa decisão” é não perceber o que é o futebol. É querer transformá-lo num jogo de xadrez quando é muito mais do que isso. E depois não percebem como um determinado jogador, que supostamente devia ser fraco (de acordo com uma análise redutora) é afinal tão requisitado por grandes treinadores e resolvem o dilema assobiando para o ar na esperança que as pessoas se esqueçam que a teoria defendida tem mais buracos que um queijo suíço.

Um jogador tem de ser avaliado num conjunto de competências interligadas entre si. Diego Costa é fraco na decisão? Podemos considerar que sim, só que compensa com outros aspetos que deixa a léguas jogadores que só são bons na decisão. É muito pouco ser-se bom na decisão e esquecer tudo o resto. Eu não quero na minha equipa um jogador que só decida bem, mesmo que isso depois me traga vídeos fabulosos para expor no meu blog. Será dispensado se não evoluir em outros parâmetros.

Defendo que a boa decisão é importante, mas não se deve descurar os atributos técnicos e físicos (do executante e do companheiro), já que que são demasiado cruciais para serem esquecidos.

Sobre a relação dos aspetos técnicos versus atributos físicos, porque parece que há também uma tendência para desprezar a componente física em detrimento da técnica, quiçá porque nos dá um ar mais professoral, recordo o Ronal Koeman. Era tecnicamente evoluído no aspeto do remate, mas sem capacidade física associada a este vertente técnica nunca teria mandado tanto balázio com sucesso para dentro da baliza.

Qual a razão do Cristiano Ronaldo trabalhar tanto a vertente física? Não será apenas uma questão de vaidade. Ele sabe que para potenciar os índices técnicos  e de decisão (seus e dos colegas), estes devem estar suportados em aspetos físicos assombrosos.  Acham que o avançado português aparece tanta vez em posição favorável para marcar porque tem mais sorte do que os outros? Acham que a boa decisão sem bola que manifesta é apenas porque tem uma extraordinária capacidade intelectual de encontrar lugares vazios para receber bola? Analisem a intensidade de CR7 na busca de espaço (sem bola) e tentem imaginar a capacidade física necessária para concretizar tal desiderato.

Falava-se (falei) também na caixa de comentários do referido Blog do Ricardo Quaresma. Já alguém experimentou mandar alguma trivela foguete? Acham que o golo do Lamela é apenas técnica? Experimentem rematar de letra, num gesto técnico perfeito, e verão que a bola saí a uma velocidade ridícula se não suportada por aspetos físicos fora do normal.

Quaresma, por exemplo, que nem é dos meus jogadores preferidos, decide mal, mas compensa muitas vezes isso com outras componentes importantíssimas no jogo. E por vezes essas componentes tornam-no num jogador mais importantes que um jogador que decida quase sempre bem mas em que lhe falte tudo o resto. Conforme defendo, futebol não é xadrez. A “boa decisão” é importante, mas amputar tudo aquilo que a suporta é querer olhar para o mundo através de um canudo. Pior do que isso, é quando esses indivíduos, ainda que de forma tácita, pretendem arrogar-se que sabem mais do que os outros, mesmo perante aqueles que optam por ver todo o panorama e que analisam o futebol como um todo desde os primeiros dias da sua vida.

Marcação à zona versus marcação homem a homem

Recordam-se as recentes palavras de Ancelotti, no contexto do próximo clássico do país vizinho: «teremos o mesmo plano de sempre, não dar espaços ao adversário. Por isso, não faz sentido fazer marcação homem a homem, mas sim colocar linhas para não haver espaço». Urge assim discriminar o conceito de marcação à zona da marcação homem a homem.

A primeira é mais exigente intelectualmente porque responsabiliza o atleta a cobrir determinado espaço imaginário no retângulo de jogo nas mais distintas fases de jogo. Obriga a que o jogador saiba ler o jogo, conhecendo em cada momento as respetivas zonas a cobrir. É portanto uma estratégia expectante e mais solidária: o “defesa” limita-se a ocupar o espaço e a estar atento à invasão alheia porque sabe que o seu companheiro cobrirá a zona contígua. O perigo desta estratégia passa pelo erro de interpretação sobre qual a zona a cobrir em cada instante. Errando, a zona aparece descoberta e com ela uma auto estrada pronta a ser utilizada.

A marcação homem a homem é mais simples e rudimentar, basta perseguir determinando oponente sempre que este cai na sua zona de ação (zona pré-determinada pelo treinador). É mais imediata, o defensor vai para onde o ofensor for (dentro dos limites impostos), mas em caso de falhanço provoca clareiras, desequilíbrios e adversário à solta. É portanto uma estratégia reativa. O “avançado” escolhe a direção, o “defesa” persegue-o.

Uma das vantagens da marcação à zona, não obstante a maior dificuldade em implementar, porque obriga a equipa a funcionar como um organismo vivo, que todas saibam em uníssono interpretar os momentos de jogo, é que a marcação ao portador da bola é divido por mais opositores e estes atuam numa situação mais expectante e confortável. Quando enfrentam o adversário, que cai na respetiva zona de jurisdição, não estão a correr atrás do prejuízo, mas alertas e preparados. As coordenadas espaço/tempo são mais estáveis e permitem uma melhor gestão emocional e psíquica na recuperação da bola. Por sua vez a marcação ao homem é mais stressantes e mais desgastante, obrigando a um movimento constante do recuperador da bola, e portanto a uma maior descoordenação espaço/tempo, o que potencia o erro na tentativa de “roubar” a bola. Por ser reativa, quando a reação não se dá atempadamente falha-se e deixa-se o adversário à solta. Na marcação à zona, quando se erra, o adversário surge sem qualquer cobertura o que é potencialmente mais perigoso que na primeira situação. É diferente estar em posição de vantagem depois de ultrapassar o marcador direto, muitas vezes já em desequilíbrio e desenquadrado, de que simplesmente iniciar o lance sem oposição. A marcação à zona, no entanto, quando  bem interpretada é mais eficiente e menos desgastante.

Blog

“É sempre importante vencer estes jogos mas não vou alterar nem ando ao sabor dos resultados. Sei o que queremos e os jogadores que temos. A equipa ainda tem de crescer mas trabalhamos desde julho e é normal este crescimento” by Marco Silva.

É um bálsamo verificar um treinador realçar a importância na evolução adotando uma visão macro (melhoria paulatina da equipa) em vez de uma visão micro (apenas os resultado recém obtidos importam ).

 

O problema não foi o Porto ter perdido, mas o seu treinador não ter percebido porquê.

Ainda o golo de Portugal

Neste vídeo é possível constatar o perigo do 3X3+ GR no processo defensivo. Fatal quando os intervenientes são executantes de primeira água. Já agora, note-se  o mau posicionamento de dois jogadores portugueses à entrada da área (lado direito) que se anulam mutuamente. Algo que se entende face ao momento do jogo, mas que ainda assim deve ser corrigido.

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Zés e Pelés

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Domínio Táctico

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Leoninamente!!!...

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Gordo, vai à baliza!

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A Tasca do Cherba

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