La Stratégie

by Alexander Sweden

A Acrópole dos aspetos decisórios

Muito se tem escrito e falado sobre a decisão com bola, denoto, no entanto, que há um erro estrutural sempre que se aborda esta questão, porquanto é tratada apenas e tão só na perspetiva do portador do esférico e sem se ter em conta as suas características e capacidades.

Passo a explicar. Compete a um jogador de futebol que tem a posse da bola decidir bem, ou seja, contribuir, da melhor forma possível, para o sucesso da equipa (leia-se, marcar golos, ganhar), no entanto, para que este desiderato seja possível de alcançar é necessário que saiba olhar para si mesmo e para os colegas passíveis de receber o passe. Por outras palavras, é necessário que o portador da bola decida tendo em conta as suas próprias virtudes e defeitos, assim como, as dos eventuais recetores. Esta realidade justifica a importância do treino, porque será através dele que cada jogador de futebol se vai conhecendo a si mesmo e vai conhecendo os respetivos colegas de equipa. Ainda por outras palavras, a decisão com bola é refém das características do portador e dos seus potenciais recetores. Se o portador da bola se encontra em boa posição para marcar golo mas existe outro colega melhor posicionado, importa, antes da decisão, que tenha noção das probabilidades de sucesso entre ser ele finalizar (e para isso cada jogador deve estar ciente das suas próprias capacidades) ou optar por passar a bola para o jogador que se encontra melhor colocado (e para isso cada jogador deve estar ciente das capacidades dos colegas).

Tenho visto pela blosgfera que a melhor decisão com bola é indiferente à capacidade do portador da bola,  e principalmente das qualidades e virtudes do eventual recetor daquela, no entanto é redutor pensar-se que a melhor decisão é sempre a mesma independentemente dos protagonistas. Em primeiro lugar a melhor decisão será aquela, entre todas as que podem ser concretizadas pelo portador da bola, a que mais aproxima a equipa do sucesso (Messi tem um maior leque de boas decisões fruto das suas capacidades técnicas e físicas que, por exemplo, João Pereira); em segundo lugar, deve-se acrescentar a este primeiro paradigma  o seguinte aspeto: a melhor decisão será aquela que melhor se adequa à capacidade dos possíveis recetores da bola. Imaginemos o exemplo de um jogador em posição de finalizar mas que tem dois colegas que estão melhor posicionados e que em termos de colocação no terreno é indiferente a qual deles passar a bola. A quem deve o portador passar? De um ponto de vista redutor é igual, desde que passe a bola a qualquer um deles. Tendo em conta o que aqui se defende o portador da bola deve optar por:

                – Passar a bola ao colega que melhor finalizará  (tendo em conta as características de cada um deles);

            – Ser o portador da bola a finalizar desde que, tendo em conta as suas características e as dos dois colegas, esta seja a decisão que maiores probabilidades apresenta de aproximar a equipa do sucesso.

Este exemplo é extensível não só às situações de finalização como em qualquer outra fase do jogo, daí que não seja raro que algumas vezes o portador da bola opte por passar a um colega em detrimento de outro. Muitas vezes, ainda que de forma inconsciente, determinados jogadores são mais procurados pelos colegas exatamente porque são estes os que melhor probabilidades de sucesso trazem à equipa, ainda que, não poucas vezes, nos pareça nonsense a opção por parte do portador da bola.

Dito isto, a melhor decisão não é aquela que teimamos em gizar em quadros demonstrativos, onde invariavelmente traçamos a melhor decisão independentemente do contexto, outrossim aquela que, tendo em conta as características do portador da bola e dos possíveis recetores da bola, oferece as maiores probabilidades de sucesso à equipa. Não é estranho, portanto, que fique chocado, sempre que observo na blogosfera que a melhor decisão, a tomar num determinado momento do jogo, seja sempre a mesma, mas que em momento algum se perca tempo a debater as capacidades do portador da bola e o potencial dos possíveis recetores desta.

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Será Rui Vitória um dos apologistas da máxima “futebol é xadrez”?

Rui Vitória assenta que nem uma luva no ditado “saiu pior que a encomenda”. Desejava-se uma suave passagem  de testemunho e a “estrutura” contrata uma antítese do atual técnico leonino. Se um adora jogar por dentro do bloco e prefere centros para a área apenas, ou principalmente, quando fazem sentido (leia-se superioridade numérica da equipa que ataca e/ou aproveitamento das faltas de marcação da equipa que defende), o ex-vimaranense abomina o jogo interior (talvez porque dá mais trabalho e exige mais sabedoria para desenvolver) e ama o jogo exterior, quase nos levando a acreditar que as balizas estão colocadas nas bandeirolas de canto. Se as balizas estão no centro do terreno porque razão se induz a equipa a explorar as zonas mais distantes, para depois lançar a bola através de passes longos (leia-se cruzamentos), os quais têm maior percentagem de erro quando comparados com passes mais curtos, para a zona mais nevrálgica do terreno? Para piorar este cenário os eventuais recetores da bola, no modelo de Rui Vitória, encontram-se invariavelmente em desvantagem numérica e bem marcados. Os defesas adoram este modelo de jogo, já que facilita o jogo defensivo e agradecem.

Ao contrário dos puristas, não considero que o jogo exterior, só por si, seja mau. Se eu tiver dois Davids Beckham na equipa a bombear bolas para dois Mários Jardel, e dois Franks Lampard na boca da área para receber a dita segunda bola, é capaz de não ter de me preocupar muito com o jogo interior, o problema é que o Benfica, nem nenhuma equipa no mundo, dispõe de este tipo de jogadores. Mesmo no mundo real continuo a considerar que é possível ser-se adepto do jogo exterior (ainda assim prefiro mil vezes o jogo interior), mas isso obrigaria à construção de um modelo que garanta uma maior presença na área adversária aquando do bombear de bolas e ter jogadores aptos a jogar neste esquema. Não é preciso ser um génio para perceber isso, basta olhar para a matemática e para a lei das probabilidades, ciências que recusam o êxito de um modelo que se traduz em passar a bola, a uma distância de 25 metros, para a cabecinha ou pé de um colega que se encontra em inferioridade numérica e enfrenta uma defesa minimamente rotinada para tirar espaço.

É  quase como um predador desejar engatar uma miúda e ter um “Date Doctor” (a fazer lembrar Will Smith no Hitch) que lhe diz que a melhor forma de “faturar” não é apanhar o caminho mais perto para a discoteca, mas contornar as redondezas e atirar umas cartas de amor pelo ar na vã esperança que o vento leve uma delas ao destino certo e alguém as leia e fique convencida. Nessa noite, para levar alguém para casa, o predador precisaria de muita sorte e os jogadores no modelo do Rui Vitória dependem igualmente dela.

Agora para os adoradores cegos e para os autores do Lateral Esquerdo, Posse de Bola e Domínio Táctico (que já tinham saudades  minhas):

Talvez Rui Vitória seja um dos profetas da nova escola, advogando que a mente e a decisão são o expoente máximo do futebol. Os requisitos físicos seriam relegados para segundo plano (eu considero que físico e mente são indissociáveis e fundamentais). Por outras palavras, quiçá considere que o futebol está mais próximo do xadrez do que outro desporto qualquer (não obstante ser raro ver um jogador com mais de 35 anos produzir o que produziu no passado, mesmo tendo mais experiência, o que lhe dá vantagem frente aos mais jovens) e isso o induza a considerar que o treino talvez seja o menos importante (tal como já afirmou) porque o que importa principalmente é a mente e esta treina-se com discursos, bonecada e palavreado (o que não é verdade, porque mesmo os aspetos decisórios são desenvolvidos nos treinos e com a bola nos pés). A ser verdade talvez fosse útil questionar a razão do seu antecessor, o mais titulado da história do Benfica, revelar uma predileção por jogadores altos (característica física) e não abdicar de Slimani (bastante inferior ao nível da decisão que Montero).

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Messi versus Barcelona

Palavras de Fabio Capello:

«A conquista do título demonstra a inteligência de Mourinho. Pode até ter estacionado o autocarro em algumas ocasiões, mas venceu. Recordo-me sempre da famosa frase de Giampiero Boniperti: “Ganhar é a única coisa realmente importante”. Mourinho ganha títulos, outros discutem filosofia».

Basicamente é isto que tem proliferado pela internet e pela imprensa, filosofia, vã filosofia. Realidade mais evidente sempre que se fala de Pep Guardiola. Se há treinador que goza de boa imprensa e de boa opinião especializada, independente do que faça, é o catalão e compreende-se porquê: Durante alguns anos de ouro colocou em prática o que muitos filósofos defendem, tornando-se uma espécie de guru sagrado. O problema é que o gizado pelo treinador amado resulta em determinados paradigmas, escolhidos a dedo e dentro de conjunturas incrivelmente agradáveis. Para os acérrimos defensores, o futebol de Pep é plausível de ser concretizado em qualquer equipa, em qualquer campeonato, em qualquer panorama e garante sucesso. Sempre. A realidade tem vindo a encarregar-se de provar o contrário, estando à vista um imenso desafio para o referido treinador: Adaptar-se.

Alguns paladinos, quase roçando o autismo, agarram-se a tudo o que podem para justificar os momentos difíceis de Guardiola. A derrota contra o Barcelona é disso prova. Não se podendo colocar em causa Sua Majestade, importava arranjar rapidamente um bode expiatória que mantivesse imaculado o estilo de jogo da Realeza. Desta vez foi Messi, à próxima será outra coisa qualquer. Li que foi este quem ganhou o jogo. Li ainda que quem não entende isto, não há nada que se possa fazer por pobre alma. Tudo isto me parece incrivelmente arrogante e desonesto do ponto de vista intelectual, tal como o será quando se defende que a estratégia de jogo do Bayern foi acertada, mas que contra Messi a melhor estratégia não resulta!

Perante estes argumentos, quem não conhecesse o fenómeno argentino, julgaria que Messi, quando está em grande forma, ganha sempre. Que o Barcelona, neste contexto, ganha sempre. Que são ficção pura os jogos em que Messi, em grande forma, não impediu os Blaugrana de serem eliminados da Champions, já que o argentino é impossível de travar.

Esta argumentação é igualmente perversa porque leva a crer que quem ganhou o jogo foi Messi e não a equipa. É menosprezar o conjunto e louvar o indivíduo. Por outras palavras, é produzir uma máxima antagónica a tudo aquilo que representa o futebol: um desporto de equipa. Ninguém ganha nada sozinho (nem Maradona no Nápoles). O Barcelona ganhou o jogo porque teve uma melhor estratégia, porque a equipa defendeu bem (se não o tivesse feito e ainda assim os golos de Messi tivessem acontecido, não seriam suficientes para garantir um bom resultado), e porque potenciou, pela forma como jogou em prol do bem comum, a genialidade do pequeno grande jogador.

Transformar a vitória do Barcelona na vitória de Messi é não gostar nem entender o que é o futebol. É ver apenas o futebol numa perspetiva esporádica (esquecendo todos os outros momentos de jogo) e individual (esquecendo o conjunto), quando o futebol deve ser analisado como uma interação de fenómenos, onde todos os jogadores dão o seu contributo e contribuem de alguma forma para o sucesso ou insucesso da equipa. Todos ganham, todos perdem, todos estão no mesmo barco e não adianta negar o inegável só para defendermos o indefensável. Não foi Messi que ganhou o jogo, foi a equipa.

Guardiola está refém do seu modelo, o qual precisa urgentemente de alojar os pés na terra e ajustar-se à realidade. O Barcelona de Pep Guardiola foi um sonho idílico que dificilmente se voltará a repetir nos próximos anos. Foi um regime de exceção que funcionou muito bem com um modelo de jogo também ele de exceção. Caindo o regime, deve com ele cair também o modelo que lhe dava sustento. Não significa passar uma esponja e começar tudo de novo, basta introduzir mais calculismo e menos filosofia, principalmente daquela que os filósofos gostam, mas que, tal com a argumentação cega usada para a defender, corre sérios riscos de se tornar cada vez mais infrutífera. Guardiola pode ganhar em Munique? Seria a melhor coisa que poderia acontecer, este ano, a nível mundial. Bombástico. Se acontecer cá estarei para analisar o jogo e dar os parabéns a quem realmente o merece: não a um jogador, seria um erro crasso, mas à equipa.

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Rescaldo de um jogo fantástico

O eletrizante jogo entre Barcelona e Bayern serviu para muito mais do que manifestar o génio de Messi,  mesmo que nos dê jeito para abafar prognósticos estéreis. Assim como o futebol amador provoca, por vezes, mazelas impossíveis de ultrapassar, impedindo a ascensão ao futebol profissional, este jogo serviu para desmistificar a recente paixão adolescente pela posse de bola e demonstrar as vulnerabilidades do Guardiola, realidade não alheia ao facto de sempre ter tido tudo de mão beijada. Viciado em treinar as melhores equipas, os melhores jogadores, fê-lo baixar a guardar, e pior do que isso, nunca consegui criar anticorpos que apenas as dores de crescimento permitem adquirir. Nunca andou na lama, e o ser humano, para se aperfeiçoar, precisa de catarse. Quiçá, seja agora, o momento oportuno.

Jogar obcecado pela posse da bola é bonito, permite construir interessantes desenhos disseminados pela blogosfera ou bonitas quadras para os editores de alguns periódicos que não deviam ser chamados de jornais (porque não fazem jornalismo), mas, só por si, não ganha jogos. A posse de bola não é um fim em si mesma. Deve servir interesses mais importantes, a vitória. Sempre que aquela não sirva o interesse último, deve ser deixada órfã, adotando-se um estilo mais adequado ao adversário e ao local onde se situa o terreno de jogo. Jogar em Barcelona, como se jogasse na Alemanha, revela insensatez, o que se compreende pela falta de anticorpos que Guardiola nunca teve oportunidade de criar. A estratégia montada para qualquer equipa termina sempre por estar submissa à estratégia e ao potencial da equipa adversária. Guardiola foi autista, não manifestou um plano B, porque nunca foi obrigado a ter um plano B. Habituado a reinar contra tudo e todos desde cedo, a impor a lei do mais forte, ainda está a tempo de perceber, durante a recente noite passada em branco, fruto das insónias que o orgulho ferido costuma provocar nos humanos, que precisa rapidamente de descer à terra e de se “Mourinhar”. Necessita urgentemente de se prender a objetivos mais terrenos (ganhar) e menos em modelos celestes pré-determinados, sustentados muitas vezes na estética e menos na eficácia. Nem sempre é possível conciliar as duas, e tendo que se optar, um profissional só pode escolher a segunda.

Tratando-se de um génio, mais ainda assim cheio de defeitos, creio que Guardiola saberá crescer, de emendar a mão e continuar a ganhar. As fantásticas conjunturas com que se foi deparando ao longo da carreira, e que tão sabiamente soube procurar, não lhe permitiram ter jogo de cintura, não lhe deram a conhecer que o jogo de posse é uma mão cheia de nada se não conjugada com outros fatores igualmente importantes. Ter mais posse de bola, mas não rematar à baliza adversária é um ultraje; Permitir que o seu guardião ouse espicaçar o adversário, revela que há muito está desconectado do mundo real; ou afirmar, todo contente, que Messi não pode ser marcado e nada fazer para impedir essa meia verdade, com uma estratégia distinta, adaptada ao caso em concreto, é um tiro no pé e soa a uma arrogância que merece ser bem paga. Hoje fez-se justiça.

Tudo isto serviu também para manifestar que Guardiola não passa de um humano. Agora, compete-lhe descer das nuvens, provar o fel da crosta terrestre, assumir a postura terráquea, a única que lhe cai na perfeição, e deixar a estratosfera para um único ser que nela pode habitar: Messi, quem mais?

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Porque razão há tanta gente que implementa o tuk tuk, quando afinal queria o Tika-taka?

Muitos treinadores do futebol amador, paineleiros e alguns adeptos adoram trazer à colação o chavão que o Guardiola revolucionou o futebol moderno. Consigo compreender, o Tiki-taka marcou uma era no futebol e continua a ser suspirado por aqueles que não compreendem que essa filosofia de jogo não é concretizável em 99,99% das equipas de futebol profissional; e muito menos entendem que se continuarem em insistir no plágio do modelo de Guardiola, vão, quanto muito, recordando aqui as palavras do Gordo Vai à Baliza, implementar um tuk tuk à imagem e semelhança de Lopetegui, e que se traduziu na única lufada de ar fresco (sem contar com a rotatividade inicial kamikaze), pelas piores razões,  que o treinador do Porto trouxe para Portugal: um sistema tático que criou o Porto mais fácil de bater dos últimos 30 anos.

E porque razão o Guardiola não revolucionou o futebol?   O vocábulo “Revolução” está relacionado com a ideia de mudança radical de grandes repercussões massivas, muitas vezes suscitado pelo povo. Se compararmos o Tiki-taka introduzido por Guardiola com este conceito, concluímos facilmente que:

 – Não teve grandes repercussões massivas: foi um epifenómeno, porque apenas atingiu uma equipa e uma seleção em particular. Todos aqueles que cheios de boas intenções e recém  chegados ao futebol profissional, vindos do futebol amador, obcecados ainda com a decisão (mas apenas nos contextos que gostam) e que pretendem implementar aquele futebol de posse (vid. Lopetegui) irão dar de caras com a dura realidade: Queriam um Tiki-taka, ficam com um tuk tuk. Queriam um Real Madrid, têm lugar no Cascalheira.

 – Não foi suscitado pelo povo: foi suscitado pela alta nobreza, por um treinador que escolhe à la carte jogadores muito específicos para um modelo muito específico. Jogadores que escasseiam no mercado futebolístico. Por serem tão raros, e tão caros o modelo do Guardiola torna-se quase impossível de ser replicado. Considerar o Tiki-taka revolucionário (diferente de inovador) é considerar que as louças de  porcelana Limoges são iguais às canecas das Caldas. Infelizmente muitos treinadores ainda não compreenderam que Guardiola provavelmente não cometeria o erro crasso que eles cometem, tentando implementar o Tiki-taka mesmo se treinasse o Vizela ou o Paços de Ferreira ou meia dúzia de miúdos com ranho no nariz. Trazer princípios de jogo só ao alcance de predestinados para os comuns mortais é um erro crasso. Seria o mesmo que ensaiar a banda do Toni Carreira para nos presentear com a OST do “2001: Odisseia no Espaço” ou Coro Santo Amaro de Oeiras para entoar uma ópera de Puccini. Lembrem-se, futebol não é humor nem a antecâmera do Frankenstein.

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Porto vs Bayern

O Porto, nesta Liga dos Campeões, defrontou as seguintes equipas:

– Shakhtar Donetsk

– Athletic

– BATE

– Basileia

– Bayern

Fazendo uma análise objetiva, nenhuma das primeiras quatro equipas está associada à primeira divisão europeia; se tivessem competido na atual edição da Liga Europa seria perfeitamente natural.

Deste modo, e sendo sérios, nunca podemos afirmar que o Porto, no que respeita às primeiras quatro equipas, tenha chegado verdadeiramente a competir, em termos de valia do opositor, ao nível da Liga dos Campeões.

Nos quartos-de-final, quando se pensaria que chegada era a hora do grande teste, do verdadeiro palco de Champions, eis que um conjunto de circunstâncias (que fazem parte do futebol) ajudaram em muito, pelo menos na teoria, na obtenção de um bom resultado na primeira mão, permitindo concluir que o Porto, este ano, ainda não jogou dentro dos mais altos padrões a que a Liga dos Campeões já nos habituou nesta fase.

Mas o Porto ou o Lopetegui têm culpa disso? Naturalmente que não. Até onde podiam demonstrar competência, fizeram-no. Objetivo cumprido. No entanto, nada ainda de extraordinário foi feito, não se compreendendo o excesso de entusiasmo e tanta sobrevalorização da equipa e dos jogadores por parte da imprensa e blogosfera.

No entanto, todo este trajeto foi importante para retirar algumas verdades. O Paulo Sousa ainda não é o treinador que alguns quiseram fazer parecer que era e que o Guardiola, tal como qualquer ser humano, é uma pessoa cheia de falhas, equívocos, insucessos e, portanto, ainda não subiu à categoria de semideus (tal como nenhum treinador o conseguiu). Mais importante que ser polido e um verdadeiro gentleman, que quando tudo corre perfeito se torna demasiado fácil, difícil é, e revelador da verdadeira natureza por detrás do esmalte, manter a mesma postura quando as coisas começam a correr mal (Vid. as declarações deselegantes do espanhol sobre as supostas infiltrações do Jackson Martínez).

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Soltas

Ao longo da minha ausência tenho lido tanta barbaridade, tanta teoria que pode levar o futuro dos jovens treinadores para o caixote do lixo, que cumpre-me aqui deixar alguns desabafos:

Desabafo n.º 1:

Leio aqui que Mourinho utiliza tecnologia de ponta na preparação física dos seus jogadores. Mas espera aí, os jogadores não são praticamente todos iguais no que à capacidade física diz respeito (são profissionais, logo seres perfeitos)?  Mas então a capacidade física não é algo somenos? Não é a tomada de decisão, o alfa e o ómega do futebol e todo o resto é levado ao melhor estilo soldadinho de chumbo? Será que o Mourinho está louco e o pessoal que treina no futebol amador e na distrital é que a sabe toda? Porque será que de uma forma em geral quando os jogadores chegam aos trinta e poucos anos ficam a anos luz do que já produziram? Não terão evoluído na tomada de decisão e evoluído na compreensão do jogo ao longo dos anos, e como isso é a Teoria de Tudo futebolístico, o ex libris, não fará sentido que jogassem até mais tarde sem afetar tanto a sua performance? 

Desabafo n.º 2:

Vamos endeusar o Cha cha cha pelo jogo que fez contra o Bayern (ao melhor estilo do “nós bem avisámos que é fabuloso”), mas as exibições de Herrera e Quaresma abafamos porque destroem certas teorias que defendemos contra tudo e todos, até porque não acreditamos na evolução de um jogador. Se dizemos que ele não serve (porque não preenche a 100% o que queremos), nunca servirá (mas o Postiga e o Ola John já servem).

O avançado colombiano tem demonstrado ser um excelente jogador, mas falta o teste de algodão: precisa de jogar num grande campeonato. Tal como a um jovem jogador, não basta ser fora de série no futebol júnior tem que prová-lo a nível profissional, também um jogador, que é um fora de série nos campeonatos inferiores, tem que prová-lo em campeonatos de primeira água. Até lá merece louvor, mas é perigoso endeusar como se fosse a última coca-cola do deserto. Eu compreendo que quem anda a treinar jogadores acabados de vir da jornada laboral ou de meninos que não têm queda para a coisa fique facilmente maravilhado (quando lhe convém) com uma lufada de ar fresco, mas convém ir com calma. O avançado é muito bom neste contexto, mas há sempre riscos perante contextos mais exigentes. Aguardemos.    

Desabafo n.º 3:

Leio louvores ao Pizzi como se fosse o melhor n.º 8 deste planeta. O curioso é verificar que o “ai nos acuda” patético (ver aqui uma sensata opinião sobre a saída do argentino) que a saída destrutiva e irreversível de Enzo traria para o clube encarnado (mas só para quem não percebe o que é o futebol profissional), depressa caiu no esquecimento. Vivemos numa época ao melhor estilo da casa dos segredos. Tudo é efémero, tudo é fútil, nada é para ser levado demasiado a sério. Continuemos a assobiar para o ar por mais tiros ao lado que sejam dados. 

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Tenho o conhecimento por isso posso ser pulha?

“Na primeira parte perdemos 45 minutos. Equivoquei-me na escolha do onze”

Palavras de Simeone após a derrota de Vigo (in A Bola online).

A importância destas palavras vão muito para além de um mero autorreconhecimento das suas  limitações enquanto treinador de futebol, antes obriga a pensar o que torna este indivíduo em um dos melhores técnicos do futebol mundial.

No meu dia-a-dia constato demasiados treinadores obcecados em centrarem todos os seus esforços no conhecimento empírico da ciência futebolista, na metodologia de treino, na análise exaustiva de determinadas jogadas, no desvio para lá do racional na tomada de decisão como se esta fosse o alfa e o ómega do futebol (realidade mais vigente em alguns técnicos do futebol sénior amador e de formação), mas demasiado despreocupados com outras competências, porventura excessivamente importantes para serem frequentemente esquecidas.

O que faz de Simeone aquilo que ele é hoje? Um conhecedor da ciência futebolística, um obcecado pela decisão, pelo fixa e passa (que normalmente deslumbra os treinadores habituados a treinar num contexto de futebol mais atabalhoado, usual nas divisões inferiores) ou por um futebol de levar a bola em detrimento do soltar rápido (o que fomenta o reposicionamento da equipa adversária e maximiza as possibilidades do adversário cair em fora de jogo, fator menos importante em campeonatos ajuizados por árbitros de divisões inferiores ou quando protagonizados por jogadores que não têm tempo para treinar os processos defensivos porque as profissões principais a que se dedicam roubam demasiado tempo)? Ou será antes a forma como lidera, como motiva, como se transforma num sábio condutor de homens, não só pelo que sabe, mas principalmente pelo modo como se comporta com os seus semelhantes?

Infelizmente este aspeto tem sido demasiadas vezes esquecido pelas faculdades ou nos estágios, na blogosfera ou na imprensa dita especializada. A realidade, no entanto, demonstra-nos que não basta o conhecimento teórico e prático, ainda que rudimentar em muitos aspetos, se depois, quem o ministra, não assume uma postura condigna, moral e vertical perante todos aqueles com quem o partilha. O jogador dos dias de hoje rapidamente percebe o tipo de líder com quem trabalha frequentemente, e para que o leve a sério importa que o veja como alguém por quem faça sentido dar tudo em campo debaixo de uma fidelidade quase canina.

Indubitavelmente este é um dos truques de Mourinho (mas quando falhou em Madrid isso foi-lhe fatal), e seguramente também o de Simeone. Não basta ter conhecimento, importa que ele seja tido em conta pelos seus destinatários, e tanto mais será quanto mais o emissor da mensagem seja digno de credibilidade. Se se comporta com um rato do cano perante o mundo que o cerca, é natural que tudo o que possa emanar de tal estirpe seja facilmente equacionado e tido em causa.

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Assistir ou finalizar?

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Perante a tentação em definir a priori qual a melhor decisão a adotar em determinado lance por parte de um jogador específico, a decisão de Reus deixa-nos de calças na mão.  Quem imaginaria um lance destes? Quem afirmaria antecipadamente que esta seria a melhor solução?

Ainda assim importa colocar algumas questões:

Terá sido esta a melhor decisão possível?

Tendo em conta a taxa de contribuição para o sucesso da equipa que o passe a rasgar proporcionou e a real possibilidade da decisão preconizada pelo jogador alemão ser executada com êxito (seria diferente se fosse o André Martins a tentar executar, mesmo que tivesse pensado da mesma forma) e tendo em conta as características e o posicionamento do colega que iria receber a bola e o posicionamento dos opositores e suas características arrisco-me a dizer que sim que foi a melhor decisão possível, supostamente.

Mas vamos imaginar, tendo em conta o adiantamento do guarda-redes contrário, que existia um jogador exímio a humilhar a equipa adversária marcando regularmente golos a 40 metros de distância aproveitando o mínimo adiantamento do guardião contrário (a fazer lembra Hagi no mundial de 1994) e que esse jogador era o Reus. Teria sido a melhor decisão passar a bola tal como realmente aconteceu (a jogada ficou dependente da intervenção de mais um jogador com todas as vicissitudes que isso pode trazer em termos de tomada decisão e da conclusão da jogada com êxito) ou mandar um charuto para dentro da baliza e resolver desde logo o problema?

Em ambos os lances (passar a bola ou mandar um charuto para dentro da baliza) há risco do executante falhar, mas enquanto no primeiro lance há dois intervenientes em jogo (o que envia a bola e o recebe aquele passe maravilhoso) o que faz juntar outras variáveis às possibilidades de sucesso, porque é diferente haver um interveniente do que dois intervenientes (matematicamente quantas mais vezes a bola andar a circular entre jogadores maiores probabilidades há de algo falhar), no segundo lance há apenas um interveniente. Se as possibilidades de execução fossem iguais, a matemática mandava o Reus marcar golo em vez de assistir.

 

 

 

 

As teorias que valem lixo?

Palavas sábias de Benzema:

«Valorizo as críticas quando são feitas por alguém que jogou ao mais alto nível, se vêm de alguém que não jogou futebol não as levo a sério. A única coisa que importa são os golos.»

 (in A Bola online)

Depois de tanta caganeira intelectual que tenho observado ao longo dos últimos meses  em dois ou três blogs, cujos princípios mandavam um treinador para o esgoto em três tempos, é interessante analisar as palavras de Benzema e constatar como elas vêm ao encontro daquilo que é defendido neste blog. Felizmente o francês já percebeu que o futebol profissional não é poesia nem xadrez. É claro como água que um ponta de lança vive dos golos. Tal como referi em momento oportuno (ver aqui): “Porque é impossível que um avançado, face à posição que ocupa no terreno, esteja maioritariamente perante situações em que a melhor decisão é passar a bola em fez de fulminar. Se não fulmina, significa que em muitos lances não é competente porque aborda mal a bola (decisão com bola) ou porque simplesmente não está lá (decisão sem bola). Aquilo que dá ao jogo coletivo dificilmente compensa aquilo que tira à equipa em termos de jogo individual”.

Esta linha de pensamento (vigente no futebol profissional, mas menosprezado em alguma da suposta blogosfera especializada) significa que as assistências fantásticas executadas por parte dos avançados centro não são importantes? Claro que são importantes, mas tal como um agente policial que ajuda velhinhas a  atravessar a estrada não se exime de continuar a proteger os cidadãos, também o ponta de lança não pode deixar sequer de ficar obcecado em marcar golos só porque tem muitas assistências. Se um polícia ajudar muitas velhinhas a atravessar a estrada será que isso lhe dá crédito para que quando presencie um assalto possa ir fumar um cigarro e assobiar para o ar? Basicamente é o que certos paladinos de teorias bonitas, mas que não servem os interesses do futebol de milhões, defendem.

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La Stratégie

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